16/04/2019

Minha Cura

Eu passei por muitas experiências ruins nesta vida. Conheci o pior do mundo obscuro. Caminhei lado a lado com os pensamentos mais feios da periferia da minha mente. 
Eu tenho 28 anos e consegui destruir o que Deus criou com tanto carinho. Eu sentia prazer no meu sofrimento, porque era a única coisa real que eu conhecia. Era tudo que eu podia ver e tocar.
Eu comecei a querer fugir da realidade bem cedo, primeiro com livros e depois me entregando a qualquer chance de amor romântico.
Eu só queria sentir alguma coisa.
Aos 13 anos eu me cortei pela primeira vez. Eu era só uma criança sem conhecimento e informação. Virou rotina. Eu comprava as lâminas junto com as compras do mês quando ia ao mercado com a minha vó. Até hoje ela não sabe. Quase ninguém que me viu crescer sabe de tudo que vou escrever aqui.
Aos 15 comecei a beber álcool, primeiro nos fins de semana, depois, sempre que eu tivesse me sentindo sozinha ou entediada. Era tão socialmente aceitável, nem parecia que era algo tão ruim... Inclusive até pouco tempo atrás eu ainda achava engraçado ver gente bêbada.
Aos 16 comecei a fumar cigarro e usar qualquer droga disponível sem nenhum critério. Eu não tinha medo de nada. Eu justificava tudo com a frase "sou jovem e curiosa, quero experimentar tudo antes de morrer".
Acho que eu só queria sentir outra coisa que não fosse ódio por ter nascido com uma doença sem cura. Queria fugir do fato de que minha mãe tinha morrido aos 28 anos e eu me fazia de forte para não sentirem pena de mim. Mas no fundo eu a culpava por ter me abandonado sozinha com 11 anos, minha família fez o melhor com o conhecimento que possuía na época, mas eu nunca deixei de me sentir um enorme fardo para eles.
Eu queria fugir da lembrança do meu tio de 37 anos pedindo para me chupar quando eu tinha 14 anos. Eu não consegui falar pra ninguém da minha família por medo. Ele era a única referência masculina que eu tinha na minha vida, minha mãe nunca me falou nada de bom sobre o meu pai além de deixar bem claro que ele não queria contato conosco. Eu sou mais uma sem o nome do pai na certidão, não faz diferença mas é curioso.
Eu queria fugir de todas as vezes que me apontaram o dedo dizendo que eu tinha sarna, lepra, que minha pele era nojenta por causa da dermatite atópica.
A depressão foi tão inevitável que na verdade não sei dizer exatamente quando começou, mas acho que sempre fui uma criança triste por dentro. Por mais comunicativa e alegre que eu parecesse por fora, quando eu estava sozinha no meu quarto eu me permitia sentir dor de tanto chorar.
Eu não entendia que eu não estava sozinha. Eu não conseguia sentir a presença divina.
Pensamentos suicidas no meio do dia eram tão normais quanto sentir fome. Fome que eu passava propositalmente por ter tanto ódio de mim, eu queria emagrecer cada vez mais na tentativa de sumir de repente.
Em um dos meus insights no caminho da cura, descobri que tudo isso era apenas resultado da não aceitação da minha existência.
Depois que eu sai do buraco que eu mesma fiz, o primeiro sentimento que tive foi de profunda vergonha. Apaguei todos os meus textos, uma tentativa ingênua de apagar meu passado também.
Hoje, com amor, entendo que não preciso me envergonhar. Todos os meus erros foram essenciais para que eu chegasse onde estou.
Eu quero contar detalhadamente o processo de cura mas eu ainda estou no processo de limpeza. Por hora só gostaria de dizer que hoje sou livre. Eu deixei tudo pra trás e consegui me iluminar.
Hoje entendo que nada na vida é por casualidade e sim por CAUSAlidade. Eu entendi que eu sempre fui responsável por tudo ao meu redor. Não foi fácil aceitar que eu mesma estava criando a depressão e todas as outras coisas negativas. Mas depois aceitei que assim como eu era responsável pelo ruim, também era responsável pelo bom. O poder de criar harmonia e alegria são qualidades do meu ser. Logo, se apenas eu mesma posso mudar e criar minha realidade, vou focar o máximo possível para me tornar a melhor versão de mim.
Por hora, queria deixar registrado as resoluções dos obstáculos que relatei neste breve texto.
Eu parei de me cortar depois de 15 anos de automutilação.
Não bebo álcool nunca, nem socialmente, e atualmente eu entendo que é a droga mais perigosa, pois qualquer criança consegue acesso com facilidade as alegrias do estado de embriaguez, que parece ser tão bom mas na realidade é só mais um método de manipulação para nos manter longe da verdade divina. Mesma coisa sobre o cigarro, uma droga aceita para aliviar a ansiedade mas que causa mais ansiedade ainda, além de coisas piores.
Eu estou curada da dermatite atópica.
Eu estou curada da depressão.
Quando eu digo curada, quero dizer que minha saúde é perfeita, não tomo NENHUM remédio e a cada dia que passa me sinto mais saudável.
Tudo isso é resultado do trabalho mental e controle dos pensamentos 100% do tempo. Evidentemente os tratamentos médicos para a depressão e dermatite atópica foram uma ótima ferramenta enquanto necessárias, porém me disseram que eu teria que conviver com estas duas doenças talvez para sempre e eu escolhi não aceitar esta realidade.
Eu tenho muito pra compartilhar, minha estrada de auto conhecimento está sendo muito rica. Mas por hoje deixo este breve relato de alguém que não tinha mais esperança em continuar vivendo e hoje encontra alegria em todos os pequenos detalhes desta dádiva que chamamos de vida.
Se você sente vontade de se matar, por favor espere um pouco. Eu não me arrependo de não ter desistido.




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