28 de jul de 2018

Isso é ansiedade ?

Acordei de madrugada e nāo conseguia voltar a dormir. Meu corpo estava tāo cansado mas minha mente nāo me deixava dormir. Era como se tivesse uma barra de ferro enroscada no meu peito e eu nāo conseguia tirar ela de mim. Eu andei de um lado pro outro, lavei o rosto...
De repente eu comecei a me sentir extremamente frustrada e intrigada, rolei de um lado pro outro, acordei meu gato sem querer, acordei meu namorado sem querer, me desesperei sem querer. 
Quando me dei conta eu já estava sentada na cozinha olhando pro nada e chorando que nem uma idiota. Eu nāo entendo por que, mas naquele momento era como se eu tivesse perdido alguém muito importante para a morte. Tāo familiar para mim. Aquela sensaçāo de que todo o ar que respiro me causa algo doentio, uma fraqueza mas ao mesmo tempo uma vontade de sair correndo até eu cansar. Meu peito doía muito, meu coraçāo parecia estar acelerado, eu só queria poder arrancar ele do meu peito e lavar ele na pia, colocar gelo nele, sei lá, qualquer coisa assim e voltar a dormir. Eu só precisava muito dormir profundamente sem sonhos. Eu sabia que aquilo nāo era normal. Eu olhava pra fora e sentia medo, olhava pra dentro e sentia pavor de estar presa dentro da minha própria pele. 
Eu me rendi e me entreguei ao sentimento insano de perda, era como se dentro de mim eu tivesse uma certeza enorme de que alguém que eu amo muito tivesse morrido.
Eu fiquei esperando tudo isso passar e perdi a noçāo do tempo completamente. 
Isso me deixou mais mal ainda por pensar que eu estava atrapalhando todo mundo, meu namorado e meu gato estavam agitados ao meu redor tentando me ajudar e eu me senti tāo culpada por atrapalhar eles com meus problemas. Me senti tāo estúpida por estar sentido algo tāo estranho que eu nem sabia explicar, por estar chorando por simplesmente me sentir exausta e nāo conseguir adormecer.
Ainda nāo se passaram 24 horas desde que isso aconteceu. Depois de dois chás e sei lá quanto tempo (realmente nāo sei quanto tempo se passou mas parecia uma eternidade e que nunca iria acabar) eu senti um sono absurdo e dormi até as 13 horas. Acordei me sentindo melhor mas meu peito ainda doía e eu queria chorar por isso. Eu só queria acordar e me sentir super feliz como sempre me sinto. Cheguei a comparar isso com uma crise de depressāo e percebi que estou "acostumada" com a depressāo. Ela é mais forte porém mais psicológica. Eu sinto uma vontade enorme de sumir no espaço e simplesmente nāo existir mais. É uma dor conhecida e mesmo que seja horrível, é familiar. 
O que aconteceu ontem foi totalmente diferente. Foi físico ! Em uma crise de depressāo eu sinto que eu quero morrer e pronto. Em uma crise de ansiedade como aquela eu sinto que eu vou morrer ou que alguém morreu, que tem algo muito errado, que a qualquer momento vai cair uma bomba inevitável e eu nāo posso reagir entāo só posso chorar de despero e olhar pras coisas e me sentir um ser humano ingrato e ridículo.
Eu consegui sair de casa com meu namorado, estava otimista que aquilo tinha sido algo passageiro e atípico e eu iria ficar de boas. Mas durante este dia, nestas mesmas 24 horas eu tive mais dois "ataques", nem sei como se chama isso, só sei que era a mesma sensaçāo de ter algo muito errado, uma sensaçāo de que nada fazia sentido, de que eu estava avulsa, de que o mundo nunca mais seria o mesmo e ao mesmo tempo eu tentando ser forte e lutar contra aquela onda gigante de afliçāo, tristeza e sei lá mais o que. E tudo ficava pior quando eu me lembrava do quanto eu tenho uma vida linda e perfeitamente ok neste momento, eu nāo tenho o direito de reclamar ou me sentir dessa forma. E parece que lutar contra essa onda faz ela ficar mais forte ainda. Lutar contra sintomas físicos que eu nāo faço ideia de onde estāo vindo mas ter a certeza que sāo frutos 100% psicológicos.
Eu precisava colocar isso aqui.
Eu precisava falar que quando eu estava no meio dessa tempestade que eu mesma causei eu só pensava em sobreviver. Totalmente diferente da depressāo que me faz acreditar que eu preciso me matar de algum jeito porque é a única forma de acabar com a dor que ela me causa. Eu só queria continuar viva e esperar a coisa toda passar mas pra isso eu precisava estar em outro estado mental. Eu precisava beber alguma coisa pra me fazer esquecer aquilo. 
Aqui estou. 
Eu espero que isso nāo se repita mas tenho medo. 
Na verdade talvez já esteja se repetindo porque sāo 04:50 da manhā e eu nāo sinto sono mesmo depois de ter passado a tarde e a noite toda bebendo gin. 
E penso em continuar porque o sono ainda nāo vem e eu estou conseguindo pelo menos colocar em palavras tudo isso. Eu vou continuar até o sono vir.
Eu nunca mais quero me sentir assim.



15 de jul de 2018

Para uma das minhas māes

As vezes na vida a gente encontra pessoas que sāo tāo intensas como nós. É tudo uma questāo de sintonia. Mas algumas pessoas conseguem manter um tipo de cordāo invisível que nos acompanham pelo resto da vida, inevitavelmente. 
Você disse que queria me abraçar, mas nāo posso te dar esse abraço. Tem todo um oceano separando a gente. Mas eu sei que você é uma das poucas pessoas que entendem a minha necessidade em voar. Eu e você. Temos tanto em comum. 
Há pouco tempo atrás nunca pensei que estariamos tāo distantes uma da outra. Que teriamos tantas barreiras impedindo algo tāo puro e simples. E eu sei que só a gente entende o que isso significa, e sinto orgulho por nos mantermos fiéis a nós depois de tudo que aconteceu.
Como eu poderia me livrar de uma das partes mais importantes da minha vida? Como eu poderia um dia esquecer que foi você quem cuidou de mim quando eu mais precisei? Aquelas noites no hospital, quando eu nāo sabia o que era sentir tanta dor. Quando eu nāo tinha ninguém que pudesse me amar tanto quanto você me amou. Eu nunca vou deixar isso morrer. É bonito demais para que eu deixe de alimentar essa linda lembrança do que um ser humano é capaz de fazer pelo outro sem querer nada em troca, por puro amor. 
Você me deu colo para chorar, um ombro para desabafar, cervejas para comemorar e sonhos para sonhar. A gente ainda tem tudo isso de um jeito meio diferente. Vamos sustentar nosso amor em nossas memórias, quem sabe até criar histórias novas porque o futuro é tāo imprevisível. E como a gente sabe o quāo imprevisível e cruel a vida pode ser. Mas ela também tem surpresas maravilhosas.
Eu lembro de todos os nossos momentos juntas. Lembro da primeira vez que nos encontramos, das nossas compras, das nossas cervejas e conversas inacabáveis. Era tudo tāo lindo, eu nāo tenho nem como segurar lágrimas ao lembrar que eu nāo tenho mais você tāo perto de mim.
Mas tudo bem, eu sei que nós ficaremos bem apesar de todas as nossas perdas e guinadas bruscas. Se existem mulheres fortes no mundo nós definitivamente estamos inseridas neste grupo. 
Eu nāo vou me prolongar, só queria tirar de mim todo esse amor e dar ele pra você. E já que nāo posso te dar o abraço que você quer, quero que estas palavras sejam como um abraço que você poderá ter toda vez que ler estas linhas. Eu tentei colocar nelas todo o meu amor pelo amor que você me deu. Toda a minha gratidāo por tudo que você viveu do meu lado e foi tāo forte e intenso que eu nunca vou esquecer. Deixo nessas palavras meu abraço e minha esperança de te ver um dia de novo. 
Deixo aqui o meu sincero sentimento de que você seja a mulher mais feliz do mundo, porque eu nunca vi nada nessa vida que seja parecido com você. 
Eu espero poder crescer e me tornar metade da mulher que você é!
Obrigada māe, pelos nossos breves dias e nossas inesquecíveis lembranças.
De sua eterna filha do coraçāo.
Com amor de Vanessa para Simone.









17 de abr de 2018

2001 em diante

Sozinha na calçada suja ela sentou com a cabeça baixa.
O volume dos fones de ouvido eram ouvidos por qualquer um que chegasse perto demais, assim como as cicatrizes que se deixavam mostrar nas mangas que as vezes levantavam sem querer.
Deixando pele demais aparecer.
Ela nāo poderia se importar menos com os olhares ou com as falas ou com os sussurros ao redor quando ela passava. 
Ela simplesmente era. 
Ela simplesmente era toda a tristeza do mundo condensada em uma garota pequena demais para entender. 
Pequena demais para se defender ela lutou contra tudo que o mundo dizia que era certo.
Ela foi o próprio brilho na escuridāo de um universo que sempre esteve morto. 
Ela argumentava com as poucas garras que tinha contra opiniões fortes demais.
Preconceitos fortes demais para que ela pudesse ceder.
O mundo feria, a música doía, a poesia fazia ela sangrar.
A noite caia, o mundo dormia e ela continuava a cantar. 
Sem voz.
O mundo nāo parou para oferecer a māo.
O sangue caia no chāo. 
Todas as gotas foram contadas como livros de uma página de uma história sem fim. 
Ela ficou jogada ali, no canto daquele sofá, chorando por alguém que nāo teve tempo de se despedir.
Todos os outros atos deste teatro foram assim. 
Muitos vieram, poucos ficaram e ela fez questāo de expulsar todo mundo com a sua fúria contra Deus.
QUEM É DEUS ?
Ele deixou ela ali para aprender uma liçāo.
Ela era nova demais para entender. 
Entender que os pais se vāo, as vezes sem nem terem tempo de chegar.
Ela ligou ligações que jamais foram atendidas, desafiou mensagens nāo respondidas e um teste negativo de DNA.
Seu peito foi aberto 10 centímetros a mais do que o médico havia prometido! 
Ela confiou em você e você culpou as substâncias desconhecidas.
Mas nāo foi ele quem acordou em uma cama com os braços amarrados no escuro da UTI.
Hematomas roxos everywhere, tontura e vontade de morrer. 
Ninguém estava lá quando ela acordou.
Morfina a vontade nāo foi o suficiente para mascarar a dor.
Mamāe eu sinto sua falta e seja lá onde você esteja agora, nāo olhe para mim.
Estou feia demais para ser vista por qualquer ser humano que tenha capacidade de enxergar.
Pensei que fosse meu segundo fim.
Ela queria sobreviver apenas para morrer de novo. 
A dor era sua melhor amiga.
Aos 13 quando esteve internada pela primeira vez e viu sua avó sair chorando do quarto pois nāo suportava ver sua dor, ela começou a entender.
Aos 14 quando seu melhor amigo, tio, pai, confidente, ofereceu lamber suas partes íntimas quando ela nem ao menos sabia como era o gosto de um beijo, ela começou a entender.
Aos 15 quando seu corpo ainda era tāo pequeno, foi quando a semente do desejo de ser menor ainda foi plantada em seu ser.
Ela nāo sabia, mas essa seria a sua maior destruiçāo, a auto destruiçāo e o início de um caminho sem volta.
Vinho, cigarro, comprimidos, cocaína.
Beijos, sentimentos, anfetamina.
Ausência, cocaína, paraíso.
Mais cocaína.
A queda.

Continua...








14 de fev de 2018

Eu quero me matar, precisamos conversar !

Eu queria ter o poder de dizer exatamente o que as pessoas precisam ouvir em um momento crítico que significa vida ou morte pra elas.
Infelizmente, poucas idéias tenho porque já pensei no meu próprio funeral diversas vezes. Eu estive tāo perto. Ainda nāo sei dizer se me faltou coragem pra partir ou se me sobrou coragem pra ficar. Mas fiquei. Eu sei que muitas vezes eu falo em enigmas, tendo a tentativa de proteger terceiros, jamais iria querer que alguém pensasse que parti por uma fala ou ato alheio, embora eles tenham grande parcela na porcentagem da tal culpa, a culpa que a gente procura tanto quando perdemos alguém que decide ir fora do tempo. Nāo funciona assim. Há dois anos eu comecei a perceber que minha força já nāo era a mesma. Eu percebi que a linha do tempo de acontecimentos tinha me fudido de uma forma irremediável. Eu achava que toda a minha história era motivo suficiente para ir embora sem dar tchau. Eu tinha perdido tudo que eu mais amava e todas as tentativas de recuperar qualquer sorriso era tāo difícil que eu tinha medo de continuar vivendo. Foi entāo que eu procurei ajuda. Nāo é uma ajuda qualquer, as vezes seus amigos dizem coisas que pioram a situaçāo sem querer. Lembre-se, nāo é culpa de ninguém que sua alma esteja toda fragmentada. É sua responsabilidade consertar o que a vida te transformou. Dói pra caralho. Machuca mesmo. A vontade de desistir as vezes, quase sempre, é maior do que a vontade de continuar tentando. A gente acha que já sabe o resultado tá ligado? A real é que a gente nāo sabe porra nenhuma. Se a gente se der 10 minutos a mais de vida e decidir naquele momento simplesmente nāo pular, quanta coisa pode acontecer? Aconteceu muito pra mim. Eu achei de verdade que era o fim tantas vezes. Quem me viu de perto viu a morte no brilho do meu olhar, estampando meus sonhos mais proibidos. Eu sonhava com o sono profundo dia e noite, eu planejava estar ausente. Eu me programei pra isso. Mas acho que alguma coisa em mim parecia estar inacabada, de alguma forma, mesmo estando sangrando, sem meus pais, abusada pela pessoa que mais confiei na minha família, abandonada por todo mundo que eu ousei amar, depois de ter machucado todas as pessoas legais que eu conheci da forma mais nojenta possível eu resolvi olhar pro céu. Eu me desafiei a viver mais e tentar. A ironia nesta passagem só será entendida por aqueles que já quiseram sentir tanta dor, tanta dor que nada seria mais doloroso do que continuar vivendo, entāo eu continuei vivendo. Eu queria saber até onde eu conseguiria chegar. Quando eu tinha 11 anos e me acordaram de manhā dizendo que minha māe tinha ido embora do mundo, eu me senti desafiada a ser forte pela primeira vez. Quando meu tio, o único ser do sexo masculino que eu confiava e tinha como figura de pai me fez pedidos inadequados e eu sai correndo, eu me desafiei a nunca contar nada pra ninguém. Eu escondi o segredo dele e agora eu estou contando pra todos que quiserem ler. Eu nāo me importo mais. Eu só quero ser verdadeira hoje.
Eu ouvi muitas críticas sobre um texto que eu escrevi sobre se matar rápido e nāo sentir dor. Eu caguei pra tudo de negativo que me disseram porque algumas pessoas vieram pessoalmente agradecer  por eu ter salvo a vida delas. É pra isso que eu estou aqui. Se tem algum leitor que lê esse monte de desabafos da vida que eu escrevo eu quero que isso sirva pra alguma coisa e eu nunca vou ser desonesta. Eu sei que dói pra caralho! Você acha que eu nunca estive no seu lugar, mas eu já estive vezes demais pra contar. Minha pele do rosto se enruga de lágrimas só de lembrar o quāo jovem eu era quando fui vítima pela primeira vez da famosa depressāo. Quer saber ? Foda-se a depressāo. Foda-se o suicídio. Foda-se todas as vezes que eu achei que a vida nāo valia a pena. Eu nāo sou a depressāo, eu nāo sou a queda do prédio. Eu nāo sou o que os fracos me dizem para ser. Eu vou vencer, eu vou chegar até a faixa final da corrida. Por primeiro ou por último, realmente nāo importa. O que importa mesmo é que eu nāo vou desistir, eu nāo vou deixar a depressāo me definir, eu nāo vou ceder nenhum passo para trás. Você também deveria tentar.

Precisamos conversar.
Conte comigo.
vaanz@me.com