6 de jun de 2017

23 de setembro de 2014 - o início

Tudo começou com umas conversas meio estranhas sobre brejas e o que é legal fazer quando se está chapado. Eu não me lembro direito, demos match no tinder mas só fomos nos falar de verdade depois de algum tempo. Foi tudo muito rápido, a vontade de se ver nasceu do nada de uma forma intensa demais para que eu consiga definir em palavras. A gente se falava todos os dias e mesmo sem nunca ter se visto a vontade de estar perto um do outro era mais forte do que qualquer coisa. Naquele dia a gente se falou durante horas, decidimos nos encontrar naquela noite depois da minha aula. Desde o meio dia meu coração já estava acelerado, você era tão doce em tantos aspectos que me encantavam que eu não tive medo nem por um segundo, eu simplesmente senti o que você sentia e decidi que eu iria ao seu encontro sem restrições. Eu sei que você estava tão ansioso quanto eu e que o seu coração naquele dia batia tão forte quanto o meu de tanta vontade de se ver logo. 
Eu mal consegui prestar atenção na minha aula, só conseguia pensar em você e em como seria te ver pessoalmente, encostar na sua pele, olhar nos seus olhos... Só de pensar nisso eu sentia um frio na barriga como se eu tivesse descendo de uma montanha russa. Eu fui pra casa e durante todo o trajeto eu só conseguia sentir meu coração batendo cada vez mais forte, parece loucura mas você sabe que foi exatamente assim que tudo aconteceu e que você sentiu exatamente a mesma coisa. Entre o bus e a minha casa você me convenceu de que o melhor lugar para a gente ir seria a sua casa mesmo, me mandando uma foto de uma Chimay e uma Delirium que você tinha comprado porque sabia que eu estava super na vibe de beber cerveja belga. Eu fiquei meio assim mas acabei aceitando, tipo "foda-se vamo aí". Cheguei em casa e me peguei sem saber o que vestir, usar ou não usar o batom vermelho, prender ou não o cabelo, eu queria que você me visse perfeita. Escolhi o vestido de flores, a botinha preta de salto, cabelos soltos e what the hell, vamos por esse batom vermelho porque sim, a Jackie tinha me dito que não importa se vai sair com o beijo depois, que o importante é a primeira impressão. A Jackie sempre tem dicas ótimas para dates. Você foi me buscar e eu estava ansiosa pra você chegar logo, quando você chegou eu quase não consegui descer as escadas de tanta ansiedade, medo, expectativa, vontade, enfim, tudo isso misturado em uma enorme onda que corria dos meus pés até a minha cabeça sem parar em um loop eterno. Achei que eu fosse ter um treco. Parece exagero mas sentir tudo aquilo foi indescritivelmente de longe uma das melhores sensações que eu já senti na minha vida e nunca vou conseguir esquecer. Eu sei que você também sentiu a mesma coisa.
Eu entrei no seu carro e te dei um beijo no rosto. Você estava lindo, provavelmente o cara mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida. Eu ainda lembro do seu perfume, dos seus braços fortes, do seu cabelo meio bagunçadinho e daquela música estranha que você ouvia. Fomos conversando até em casa, nem me lembro sobre o que, eu só conseguia pensar no quão perfeito você era. Quando a gente desceu do carro e fomos esperar o elevador pra subir pra sua casa, você me beijou, puta que pariu, foi o beijo mais gostoso que eu já ganhei na vida. O batom vermelho não sobreviveu nem 15 minutos. Sua casa era bem bagunçada mas eu não me importei, a música que você colocou era mais bizarra do que a que estava tocando no carro e parecia não acabar nunca mas beleza, estamos aí no role pra conhecer coisas novas, tudo bem. Aquela noite era pra ser apenas um primeiro encontro, onde pessoas normais usam pra se conhecer e tals mas a gente nunca foi muito normal não é mesmo? Ficamos bebendo e conversando sobre todas as brisas das nossas vidas, e nos beijamos em todos os cantos possíveis da casa. Eu não conseguia ficar longe de você, estar nos seus braços me fazia esquecer de tudo que existia ao meu redor, viciante, eu só queria sentir aquilo pra sempre porque era bom demais, bom demais pra ser real. Eu não queria que aquele sonho acabasse. Acho que você também não. Por isso mesmo eu fiquei até de madrugada sendo que eu precisava ir embora pra dormir cedo pois tinha que trabalhar no dia seguinte. Por isso mesmo a gente acordou de madrugada, eu usando um chinelo seu enorme e fomos pra minha casa umas duas ou três da manha LOL buscar minhas coisas pra eu poder ficar mais um pouquinho com você. De manhã ainda não era suficiente, eu queria ficar mais, pedi metade do dia off no meu trampo só pra poder ficar deitada com você na sua cama até meio dia sem pressa de levantar. 
Naquela época você bebia muito aquele chá de caixinha e sempre tinha nutella e pão na sua casa. Era engraçado a quantidade de chá que você bebia haha, fizemos um lanchinho e você me levou pro meu trabalho.
A primeira coisa que eu fiz foi escrever sobre as sensações que aquela noite tinha me trazido. Dormi tão pouco mas nunca dormi tão bem na vida, me sentia meio tonta ainda, sentia a sua pele na minha e a vontade de estar com você de novo era um resultado inevitável. 
Durante uma semana mais ou menos a gente viveu assim, eu chegava em casa da faculdade e você me buscava pra ficar com você.  Logo eu descobri que a música estranha que você não parava de ouvir era de um brother chamado Frank Zappa que comecei a curtir muito também. A gente deitava na cama e ria tanto mas tanto que eu perdia o ar. Estar com você logo virou meu ritual diário favorito. Era o melhor momento do meu dia quando eu podia ficar com você e não me preocupar com mais nada. Você cuidava de mim, e talvez você não saiba disso mas a sua chegada repentina na minha vida foi o que me salvou de mim mesma. Eu estava vivendo uma queda infinita e a qualquer momento eu iria bater no chão sem volta. Você chegou antes disso e mudou toda a minha história, mas deixo isso para o próximo capítulo desse encontro que termina em... não vou dizer como termina agora. 

Continua...




                                   Como costumava dizer : my favorite place in the world