26 de jan de 2017

Blue

Eu pensei que depois de tantos erros, não mais erraria. 
Achei que depois de tantas ressacas morais, não mais me embriagaria.
Senti que depois de tantas desilusões, nunca mais apaixonar-me-ia.
Será que algum dia tudo isso vai fazer sentido ? 
Porque agora só vejo o vazio rabiscado pelas minhas confusões.
Confusões nas quais insisto em arrastar quem quer que esteja perto para dentro do meu furacão.
E ele me leva, me faz voar pra longe, longe de casa, longe de tudo, longe de mim mesma enfim.
E tudo eu daria para estar cada vez mais distante, ver uma nova paisagem todos os dias.
Sentir e viver a poesia ! 
Respirar mais fundo, sonhar mais alto, e descobrir pelo menos uma vez como é não afundar.
Então me dê a mão e me levanta desse chão molhado pela chuva que não para de cair.
Me diz que meu mundo insano é belo para ti.
Me diz que a minha loucura se parece com a sua.
Me diz que o nosso tempo virou lembrança doce que fica repetindo na sua mente.
Eu ousei  pensar, achar e sentir.
Eu me  questionei "será?" tantas vezes que me perdi.
O medo as vezes bate na minha porta e eu me escondo, meus desejos são perigosos.
O que alguns levam anos pra sentir, eu sinto em um segundo e de repente acaba.
Sou como fogo que logo apaga, não antes de queimar tudo ao redor.
O caos me agrada da mesma forma que a calmaria que tanto anseio.
Entre os extremos da pressa e da tranquilidade, me movo de acordo com a música.
Mas as vezes é como se a minha música não fosse a mesma que o resto está a ouvir.
É tão difícil ser compreendido sem se expor em demasia.
Quantas vezes já perdi as companhias, poucos aguentam estar perto de tanta desarmonia.
Mas também sou alegria, o sorriso que se faz tão rápido quanto a melodia que me desmancha em lágrimas. 
Talvez meu sono em excesso seja o cansaço que sinto da vida.
Excesso de tristeza e excesso de alegria.
Eu não sei ser cinza.