19 de dez de 2016

Desabafo de uma garota extremamente sentimental

Já faz alguns dias que ando me sentindo meio mal. Talvez seja a falta de compreensão do mundo, as mensagens não respondidas, o vazio que insiste em ecoar o barulho do meu silêncio em todos os cantos das paredes do meu interior. Quem sabe eu tenha perdido tempo demais tentando me animar, tentando fingir ser alguém que não sou. Talvez eu devesse aceitar as dores sem fingir que elas não me machucam. Anseio em encontrar um pouco de dignidade quando sofro, mas é em vão. Eu me desespero, me descabelo, passo dias com a cabeça em outra dimensão, tudo isso pra tentar fingir que eu não me afeto com tanta falta de atenção. Eu só queria encontrar pessoas que fossem pelo menos um pouquinho como eu, nunca me senti tão sozinha como hoje. 
Eu tentei mudar. 
Eu sei que já errei desse mesmo jeito antes mas acho que não aprendi a lição. Eu tentei ser alguém que não sou e isso me machucou de novo. Eu posso até sair com milhares de pessoas, mas no final do dia, isso só me faz sentir mais sozinha ainda. Porque eu insisto em gastar meu tempo com pessoas que eu sei que vão me fazer chorar depois? Eu não tenho vergonha nenhuma de admitir que sinto e sofro intensamente porque sentimentos belos são motivos de orgulho pra mim. Eu sou o tipo de garota que se prende nos olhares, que valoriza os pequenos gestos, os toques, o tipo de garota que não sabe brincar de ignorar a pessoa por uma semana pra fazer ela sentir minha falta. Quando eu gosto eu quero demonstrar de todas as formas possíveis. Mas acho que eu tenho entregado meu coração pra qualquer um, achando que todo mundo é como eu. Na minha mente inocente eu acredito cegamente que tudo que eu li nos livros pode acontecer na vida real, por que não poderia afinal? Nossa vida não é a gente que escolhe? Porque eu escolheria ser uma pessoa fria que calcula tudo sendo que sou como chama ardente quando encontra o combustível certo? Por que eu sairia com um cara diferente por dia na semana sendo que eu quero apenas um? Eu estou cansada dessa forma superficial de se relacionar com os outros. Talvez o Tinder tenha normalizado o ato de tratar as pessoas como objetos em catálogos. E eu acreditei quando me disseram que eu deveria sempre arrumar um novo amor para esquecer o antigo. O resultado final é um desastre, só sobra você sozinha junto com a hipocrisia de fingir que ama quem você nunca poderia amar. 
No meio de todo esse conflito entre tentar ser quem não sou e tentar lidar com quem sou realmente eu acabo me perdendo. As vezes já nem sei mais o que é coisa da minha cabeça e o que não é. Eu queria ser menos sensível, menos intensa, queria amar menos, queria não me apaixonar por tudo que brilha, queria não querer tanto. Mas quando vejo as pessoas que são exatamente desse jeito que não sou, sinto pena. Ou talvez digna de pena seja aquela que se considera o último ser romântico do planeta, prestes a desistir definitivamente de acreditar em tanta fantasia.

Eu não procuro mais ninguém. Vou mergulhar em mim pra ver se encontro alguma coisa que me ajude a superar tantas perdas, tantos amores, tantos calores seguidos de chuvas imensas que demoram pra acabar. 

Eu só quero ficar sozinha.


14 de dez de 2016

As tragédias que acontecem quando se esquece o antidepressivo

De tempos em tempos eu esqueço de tomar meu remédio por alguns dias, não é de propósito, alguns vão dizer que é uma auto sabotagem inconsciente. Talvez seja. Só sei que acontece e quando me dou conta já estou em outro estado mental. É estranho perceber o quanto não tenho controle absoluto sobre as coisas que meu cérebro decide fazer. De repente começo a ficar mais sensível do que já sou para qualquer coisa, leio meus diários e começo a perceber apenas as injustiças e perdas de minha vida. É como se de repente eu esquecesse que há dois dias atrás eu me considerava a garota mais feliz do planeta. E assim, de repente, começo a acreditar que essa é a minha realidade e por alguns instantes, segundos que passam lentamente como horas em uma fila de espera sem fim, eu me permito sentir pena de mim. E quando isso acontece acaba toda a minha coragem de enfrentar qualquer coisa. Fico aflita e com medo de encarar o mundo, como se eu não tivesse o direito de ser tão feliz quanto os olhos que me despem a alma. Como se todo mundo pudesse ver exatamente quem sou sem que eu tivesse chances de me explicar, sem voz para me defender das acusações desse júri que me condena por crimes que não cometi. 
Começo a duvidar da minha sanidade mental!
Começo a duvidar de quem eu realmente sou: seria a minha personalidade verdadeira aquela com ou sem o efeito do antidepressivo? E por que? Por que não posso saber quem eu sou realmente, por que minha mente brinca comigo assim? Esses pensamentos me consomem em um eterno loop. Eu só queria que a roda parasse de girar, estou me sentindo tonta e as náuseas são inevitáveis. Me lembro que tudo isso talvez seja apenas o efeito da falta do remédio, corro para tomar o mais rápido possível. As náuseas aumentam mais ainda, as vezes não é possível manter no estômago o jantar que acabei de comer. Cuidar da mente as vezes tem esses efeitos colaterais. Mas nada tão grave quanto a vontade de me jogar do prédio mais alto da cidade. Me abraço e espero que o efeito da droga seja rápido. Fecho os olhos e busco em minha mente os meus melhores dias de sol, intercâmbios, amores, beijos na chuva, warped tours, cervejas, aquele menino do sotaque lindo que não sai da minha cabeça, meu gato, os amigos, festas, férias no rio, horas que passei boiando no mar e olhando pro céu sentindo que eu era parte essencial de toda a grandiosidade daquele azul infinito, eu era o oceano e o oceano inteiro cabia dentro de mim. Logo vem o sentimento de pertencer. As lágrimas de medo vão secando, medo de voltar para o abismo que a depressão é capaz de me colocar, um local escuro onde esperança não há! Respiro fundo e me concentro no que mais importa "estou viva" ! E com a gratidão por simplesmente respirar, junto com as memórias mais belas que um ser humano pode ter, eu me recomponho. Nem tão forte, mas nem tão fraca que eu não consiga me levantar sozinha. Estou acostumada a sair da lama sem ajuda de uma mão. Nunca mais duvido da minha força, força que aperta a faca na mão se for preciso pra conseguir se puxar pro alto, sempre, e me recuso a descer daqui. Só espero um dia entender quem realmente sou, não depender de um remédio pra conseguir viver normal. 
Depois que o pesadelo passa, me lembro da importância de nunca esquecer de tomar a porra do remédio, pode não ser o ideal agora, mas se é isso que eu preciso para ficar bem, que seja...
Eu só quero poder sorrir e ser a menina mais feliz desse mundo sem precisar de um comprimido pra me convencer disso. 




12 de dez de 2016

São Paulo, 25 de Novembro de 2016

Os amores de minha vida...

Chegam sem avisar e vão embora de repente, causando estranheza no meu coração adolescente. Vivo a procurar pedaços que restaram nas minhas lembranças, que há muito já não são tão confiáveis. Tento reviver os melhores momentos, tento agarrar cada detalhe para que nunca se perca. Gostar tanto de alguém me faz feliz. O que seria sem amar? O que seria sem amor? Que graça teria afinal? 
Acho que estou encontrando o tal do equilíbrio, já não corro atrás dos meus amores como fazia antigamente. Hoje eles surgem no meu caminho como belas supresas agradáveis e brevemente se vão de meu coração, pois ele é bem exigente e existem amores demais no mundo a me esperar. Quem sabe um dia eu encontre um que eu permita ficar. Talvez eu tenha achado, mas nem procurando eu estava. Quando vi já era tarde, já estava hipnotizada. Viciada na pele, no cheiro, no cabelo, no olhar. Encantada pelo jeito, pela voz, pela forma como ele fala. E ao mesmo tempo não me prendo, não me permito sofrer por esse desejo, hoje em dia só quero pra mim a melhor parte de amar. E quando se tem muitos amores, você aprende que o principal é o amor próprio. E é me amando que eu quero amar ele. E amar ele faz com que eu me ame mais. Essa leveza é tão rara que me faz querer continuar sem medo algum, sem pressa alguma, sem anseios, sem expectativas. Eu só quero ver ele e que todas as coisas que aconteçam nessa história me tragam mais e mais risos. E que bonito está o céu hoje, mesmo com chuva, fico pensando que a beleza da vida é saber que em algum lugar existe alguém como ele sorrindo o sorriso mais bonito que já vi. Em algum lugar existe ele e a sua existência por si só já é motivo pra mudar meu mundo pra melhor. 
Espero porque sei que com ele não preciso correr. Me permito apenas ser, pois com ele sei que não preciso me esconder. Me esconder por dentro, não mostrar meus lamentos, meus risos fáceis, meu jeito de menina que se recusa a crescer. Então eu escrevo na esperança de que o universo leve até ele essas palavras, ainda vazias, esse amor não existe afinal. Ainda. 


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