30 de nov de 2016

Meu vício

Nas palavras encontro meu consolo, meu eterno apoio sem o qual nada seria. Nas palavras encontro o único remédio capaz de sarar minhas feridas. Encontro a paz que tanto busco nos abraços breves e vazios, encontro o amor que tanto sonho nos dias mais frios. Queria eu ter outra forma de mostrar quem sou, me explicar, contar pro mundo que nem sempre penso aquilo que minha expressão demonstra. Minha cara de dúvida é sobre as mil coisas que ainda tenho que descobrir, é sobre achar algo engraçado e ter que guardar pra mim, nem todos possuem o mesmo humor, um humor que exige tão pouco para morrer de rir. Eu sou assim.
Encontro nas palavras o que busco na vida e na vida encontro palavras que definem minhas buscas. Me perco quando tento ser apenas comum e rasa, nunca serei. Sou bicho do mato, intensa, visceralmente alucinada por tudo aquilo que me traga um pouco de emoção. Meu vício por palavras fez de mim uma caçadora de aventuras, é só por isso que eu danço na chuva, corro para abraços que nunca experimentei, beijo lábios fingindo que me pertencem por uma vida e logo me despeço, mas nunca dizendo adeus, pois aventuras sempre deixam um gostinho de "quero mais". Deixo o vício me consumir. Tudo começa pelos sentidos: um sorriso quente, um olhar doce, uma voz macia. Mistura-se tudo dentro de uma onda de calafrios que percorrem minha espinha, lentamente, o frio na barriga que vem no mesmo momento em que ouso pensar naquilo que me tirou o chão e me deixou andando nas nuvens por dias. Tudo isso dentro de mim vira uma coisa engraçada que nem mesmo palavras poderiam explicar de forma compreensível. E como uma droga, de repente a brisa bate ! Meu cérebro grita de dor pois tanto sentimento sem fazer sentido me deixa meio tonta, minhas mãos formigam e anseiam pela tinta, pelo papel, por todo aquele ritual de exorcismo que é a escrita. Escrever é exorcizar meus piores demônios e transformá-los em belas poesias. As vezes exorcizo sentimentos bons falando sobre raiva, sentimentos ruins falando sobre o amor que tanto tentam me convencer que não existe. Eu sei que existe no mundo alguém que entenda exatamente como é essa sensação única, esse apego, esse desejo que necessita ser saciado sem demora. 
Mesmo depois que vomito todas as palavras do meu cérebro, as sensações e emoções continuam fluindo em minhas veias, fazendo de mim uma eterna máquina de palavras ambulante. 

Meus dedos ainda estão formigando...