29 de nov de 2016

Rio de Janeiro, 13 de Novembro de 2016

Eu adiei transformar sentimentos em palavras porque tinha esperanças de que o sentimento fosse durar mais. Tinha medo de por no papel todas as lembranças e diminuir elas dentro de mim de alguma forma. E eu nunca quero esquecer, como poderia me permitir apagar da memória aquelas horas? Talvez eu estivesse tão brisada que tudo pareceu melhor do que realmente era. Ou talvez eu nunca tivesse sentido tantas coisas de uma só vez em nenhuma outra ocasião. A mistura de tudo que tinha naquelas quatro paredes fizeram algo inédito acontecer dentro mim. Não sei se era o toque, o cheiro, a textura, o sabor, o olhar, o calor, a chuva ou a voz. Não sei se foi o jeito ou a falta de jeito, o ritmo, o dia ou a situação. Algo diferente aconteceu. Eu tentei explicar pra mim várias vezes mas não tenho conclusão.
Talvez as melhores coisas da vida sejam assim, simplesmente indescritíveis. Fui pega de surpresa, logo eu que brinco de poesia com tudo que encontro pela estrada. Logo eu que brinco de fazer histórias que duram pra sempre inspiradas em minutos de convivência. Eu gosto de sonhar, me faz bem, me traz paz. Mas essa história não é uma invenção. Eu não posso estar ficando louca, alguma coisa de tudo aquilo deve ter sido real. Ou talvez minha sanidade já não é mais tão estável, talvez meus sentidos estejam aguçados em demasia, intensificando a agonia que é não ter o que eu quero ter agora.
Confesso que esperei o tempo passar, primeiro me permitindo sonhar com os momentos breves que tanto me inspiram. Depois me policiei a parar, sonhar demais estava me tirando da realidade, me impedindo de raciocinar. Eu era toda emoção, dos pés a cabeça somente os meus sentidos me guiavam, dia e noite pelas ruas tentando achar significado nas coisas mais banais. Depois comecei a sentir dor física por estar me reprimindo tanto, eu não consigo esconder dentro de mim quando tenho vontade de gritar pro mundo inteiro ouvir. Eu odeio ter que jogar o jogo. Eu odeio ter que esperar. Eu odeio não poder estar onde eu queria estar. 
Depois eu simplesmente aceitei, ou talvez esteja tentando me convencer a aceitar, me trazer de volta pra realidade, parar de sonhar tanto com aquilo que não depende de mim pra acontecer.
Talvez eu deva esquecer, simplesmente deixar ir, quem sabe o universo trás de volta..
Enquanto isso continuo aqui, quem sabe os ventos levem esses pensamentos loucos pra longe de mim. Quem sabe o tempo me tire a falta de juízo e me dê um pouco de sabedoria para aprender a esperar, aprender a entender, aprender a deixar ir aquilo que eu mais gostaria de segurar, mas que corre como água pelas minhas mãos.
Escrever tudo isso foi mais difícil do que eu pensava, e como eu temia mas no fundo ansiava, as lembranças estão ainda mais fortes depois dessas palavras.