29 de set de 2016

Abrindo a alma

A vida tem passado de forma estranha, minha noção de tempo já não é a mesma. Tenho a impressão de que vários anos passaram mas o que aconteceu há anos atrás foi na verdade ontem. É que o sentimento ainda é o mesmo.
É que se eu fecho os olhos e penso no dia 24 de setembro eu me sinto com 21. E como tudo era diferente lá atrás! Meus sonhos pareciam tão grandes, minhas convicções eram tão rígidas e hoje sei que tudo nessa vida exige flexibilidade. A gente cresce e aprende a lidar com as situações com menos choro e mais bravura. Com menos drama e mais objetividade. Mas ainda assim, aquela mistura de cores, sons e cheiros me transportam para uma época que mesmo distante no passado, está mais presente do que nunca nos meus pensamentos. Queria poder controlar o que penso, controlar o que sinto, controlar o que desejo mas é em vão. Já tentei esquecer pessoas só que quanto mais eu penso em esquecer, mais eu lembro. E as lembranças chegam em grandes ondas, trazem junto tudo que tinha naquele lugar escuro que eu enterrei na alma pra não ter que ver. Traz os sorrisos que me deram de presente, os sonhos que nunca se realizaram, o amor que era tão simples e possível mesmo com um grande oceano separando duas almas. Tento dizer sem falar muito, gostaria de ser breve mas afinal, que diferença faz? Hoje o pensamento livre está em caos. Como pássaros soltos da gaiola pela primeira vez, eu me abro para dizer que nada posso controlar. Estou deixando a vida acontecer e que os ventos me levem para algum lugar bom e seguro. Um lugar onde eu finalmente possa descansar com a cabeça no travesseiro, dormir sem sonhos, sem pensamentos e sem lágrimas. Um lugar onde o passado não me faça tanta falta e eu consiga finalmente seguir em frente.
Eu sei que alguém em algum lugar sente o mesmo. Manifeste-se por favor, pois cansei de me sentir sozinha em pensamentos que, para a maioria, parece ser apenas papo de bar ou coisa de gente louca. Eu cansei de não ter quem entenda a sutileza das palavras que nunca disse. Cansei de sentir que talvez eu seja a única alma no universo que contempla o tempo ao mesmo tempo em que pede para que ele pare. Não é de hoje, eu sempre fui assim. 


Ser livre demais é um caminho solitário.