10 de abr de 2016

Pensamentos nem tāo suicídas

Nāo sei se o mundo real é aquele em que estou sempre bem e feliz, vivendo como se fosse meu último dia, tamanha magia que encanta meus olhos de menina. Ou talvez o mundo real seja aquele em que enxergo todas as tristezas do universo como uma grande mochila que preciso carregar até a próxima estaçāo. Só que a próxima estaçāo nunca chega, e sozinha em meu vagāo escuro  grito por ajuda, procuro almas que me ajudem a carregar minha bagagem. Mas por alguma razāo ninguém parece acreditar que essa mala possa ser tāo pesada assim. Entāo os gritos sāo sufocados, aos poucos o ar abandona os pulmões cansados, a força se condensa na penumbra do trem sem paradas. 
Incrível como viajar pode ser tāo cansativo. As vezes sinto uma imensa fome que comida nenhuma poderia saciar, sinto sede de algo que nāo sei o que é, posso até sentir seu sabor em meus lábios, doce porém apressado. Por isso anseio em chegar no fim da linha deste trem que me espanca com seu ódio fulminante. Talvez por isso eu nāo consiga parar quieta em lugar algum, vivo buscando refúgio para os meus piores medos, nas belas paisagens do trem fantasma eu passeio, mente e coraçāo, as vezes até esqueço o quāo pesado é o que carrego nos ombros. Por isso já nem sei o que é real, aquilo que consigo sempre sentir apesar de todos os pesos e assombros ao meu redor, ou se é aquilo que, de tempos em tempos, ouso abrir os olhos para ver, este perigoso trem que me leva para um destino desconhecido e distante, alguns chamam-no de amanhā.
Vivo a me perguntar, quem mais neste trem busca ajuda e nāo encontra.Vivo a pensar quantos outros morreram antes de conseguir chegar para ver o azul do mar na estaçāo final. Foi o que me disseram, que chegando lá, de repente todo o peso que carreguei finalmente valeria a pena. Ouvi vozes que disseram que era isso mesmo, sem erros. Falaram algo sobre sofrer para aprender e aprender para finalmente evoluir. Me disseram para nāo desistir, me contaram que eu poderia carregar peso ainda maior se ousasse descer do trem em movimento, seria abominável e totalmente contra as regras. E com este restinho de fé que me resta no desconhecido, ouso confessar que acredito que o mundo real seja aquele em que estou sempre bem e feliz. Conto os segundos para que saia da minha mente toda a certeza de que isso está errado. Me atrevo a gritar aos quatro ventos o quanto eu quero crer com todas as minhas forças nesse mundo mais bonito e colorido que criei para mim. Peço ajuda pois sei que sozinha nessa vida nāo se chega muito longe. Peço licença para entrar no seu coraçāo e pegar um pouco dessa alegria que eu sei que você também guarda aí. Vamos compartilhar? Nāo precisamos passar por esse trem sozinhos, se todos quiserem, o peso pode ser divido, logo, mais suportável. Quem sabe poderíamos até apreciar melhor as mais belas paisagens, quem sabe assim poderíamos aprender um pouco mais uns com os outros. Talvez isso seja o que falta para finalmente fazermos o trem parar, ajudarmos uns aos outros como se todos importassem. Por que de fato, todos importam. Nunca deixe ninguém te convencer do contrário,

Beijos, 
Vaanz <3