19 de out de 2015

Saindo do hospital \o/

Quando se passa tempo demais dentro de um lugar, sair dele é um momento mágico. Talvez eu seja sensível demais, talvez minha pele tenha reações em demasia quando tocada pelo sol e pela brisa fresca da tarde. Aquelas tardes que perdi enquanto não podia estar lá fora, enquanto não podia estar em qualquer outro lugar. Busquei refúgio em minha mente, em pensamentos livres que voavam longe da minha dor, a dor física, a dor invisível, a dor da alma. Fugi para os alpes suíços que ainda não conheço, para os montes verdes que a Heidi tanto ama. Fui para longe buscar o conforto que não podia encontrar no quarto frio do hospital. Em voo noturno visitei os mares, aqueles que tanto me alegram quando já nem cabe mais tanta alegria em mim, aqueles que eu pensei por um instante, que nunca mais fosse ver. Eu imaginei um futuro diferente, cheio de cor, cheio de letras, canetas, livros e poesias que aquecem o coração. Imaginei um roteiro perfeito, histórias que mudariam a forma como o mundo pensa. Percebi que tudo que faço hoje não vai me ajudar a chegar nesse futuro tão lindo que imagino para mim, é preciso mudar o plano de voo. Talvez as coisas comecem a ser realmente bonitas agora que existe um sonho novo, já me sinto diferente, tomar decisões é algo que muda a gente, mesmo que tudo ainda pareça tão igual, por dentro tudo é novo. Novos sonhos, novo fôlego, novos anseios, novos horizontes. É como nascer de novo e eu não poderia estar mais feliz.
É o que acontece quando você sai de um lugar depois de tanto tempo, aquela sensação que se tem quando abrimos a janela de um quarto escuro e o sol do meio dia invade tudo com seus raios. Toda a poeira se sacode, todo o ar se movimenta, os olhos se fecham tentando protege-los de tamanha claridade. E então o corpo volta a se acostumar com a luz, com o jeito que a vida brilha independente dos seus temores e receios. É assim que me sinto hoje, queria que todos soubessem o quanto é lindo poder sonhar de novo.