28 de out de 2015

Eu vs Dor

A dor !
Aquele enorme vazio perfurante que se espalha pelo peito, aquela vontade de só deitar e dormir para ter um pouco de paz. A perda da fome, a perda da vontade de estar de pé. É com lágrimas nos olhos que me forço a ser um pouco mais forte. Mais do que fui ontem, muito menos do que terei que ser amanhã. Não posso deixar que a melhor parte de mim vá embora, meus sonhos ainda estão tão vivos, meus pensamentos são tão positivos, eu juro. Mas a dor ainda está lá, não é uma dor emocional, bem que poderia ser.
A dor me cutuca o dia inteiro, me lembrando que sou apenas um corpo frágil habitado por uma alma forte. E me permito ser forte, ignorar a dor, fingir que ela não está lá. Ao ver as agulhas fecho os olhos, penso em coisas boas, lembro do meu filhote de gato me esperando em casa. Ao ver o sangue, finjo não me sentir nauseada. Enquanto caminho, caminho com esperança, tenho fé em mim mesma, tenho fé em minha coragem e orgulho das minhas cicatrizes. Cada luta superada foi uma guerra vencida, e eu sou a campeã. E tantas vitorias me transformaram em um ser cada vez mais forte, cada vez mais destemido. Mas a dor ainda está lá, e as vezes eu esqueço de toda essa força que habita em mim e me permito sentir, me permito por breves momentos ser apenas humana, me permito chorar, me permito sentir ódio por estar sentindo uma dor que eu não deveria estar. Eu não tenho que ser forte o tempo todo afinal. Queria trocar de corpo com alguém por pelo menos um dia, abrir um zíper nas minhas costas e sair por aí, livre, leve e solta. Mas cá estou , presa na carne, meu espírito tão livre implora para retornar ao verdadeiro lar, mas o momento não é esse. É preciso superar, sentir todas as dores para que eu aprenda a valorizar a vida, aquela que tentei tirar tantas vezes em segredo. Agora todos sabem. Talvez a dor seja merecida, encaro minha punição com a cabeça erguida. Aceito o que a mim foi imposto, talvez por mim mesma, e sigo em frente pensando apenas no melhor. Apesar de tanta aceitação e força, hoje só queria desmoronar e me deixar sentir um pouco de pena da minha própria dor. Conto os segundo para ir para casa, e tentarei me convencer de que amanhã a dor já terá ido embora, mesmo sabendo que isso é fisicamente impossível, ainda acredito que possa acontecer. Pois a dor pode ter levado embora algumas coisas de mim, exceto minha fé.