24 de set de 2015

Sobre a felicidade e o desapego




Eu cresci sendo convencida de que para ser feliz eu precisaria de uma lista de coisas. Uma lista bem comum e parecida para milhares de seres humanos. Me disseram que eu precisava de um trabalho legal, me falaram que sem uma graduação eu nunca seria ninguém na vida. Me fizeram acreditar que a felicidade está no resultado de conquistas materiais, em ser parte de uma família, ter filhos, sucesso na carreira e um saldo positivo no banco.
Mas eu me lembro que nos momentos mais felizes da minha vida, nenhum item dessa lista estava incluso. Acho que é porque a felicidade é diferente para cada um e é injusto que essa idéia padronizada de felicidade nos seja vendida deste o nosso nascimento. Fazendo com que tudo que a gente faça, que seja diferente do caminho que nos levará a obter as coisas da lista, seja considerada como uma grande heresia. Eu até entendo que essa lista possa de fato fazer alguém feliz, mas não eu. Cá estou, trabalhando, estudando, me preparando para um futuro brilhante, e nunca estive tão confusa e perdida em toda a minha vida. Parece que depois que comecei a perseguir estes ideais padronizados, meu chão sumiu. Eu já não tinha mais certeza de que viver intensamente e de forma não convencional era o que eu realmente queria para mim. Ninguém me mostrou esse lado, ninguém me vendeu esse ideal. Era apenas uma idéia que eu tinha na mente, um desejo que ardia no coração, pensamentos livres que me elevavam ao estado de felicidade máxima. O erro foi meu, me deixei ser influenciada, me vendi para o sonho alheio, deixei que o mundo me comprasse com a sua propaganda perfeita de uma vida feliz. Mas sabe, nunca é tarde para praticar o desapego , principalmente o desapego daquilo que não te faz feliz. Existe uma grande barreira para o desapego chamada MEDO. E muitas vezes esse medo não tem sentido algum. Tememos as coisas que podem ou não acontecer nas nossas vidas, baseando todas as nossas decisões em cima de algo que é incerto. Que pode acontecer sim, mas talvez nunca aconteça. É preciso arriscar, deixar ir embora aquilo que não cabe mais, jogar no lixo os sentimentos velhos, reciclar-se , dar-se uma nova chance de sonhar de novo, sonhar diferente, sem influências externas, sem pretensões materiais exorbitantes. É preciso se desapegar para se descobrir, somos capazes de tantas coisas, mas talvez a gente nunca vá descobrir o tamanho dessa capacidade e o impacto que ela causaria , pois tivemos medo demais para tentar o novo. Viver o comum é fácil, ir pra faculdade é fácil, trabalhar é fácil, até ter uma família é fácil. Difícil é se achar nesse mar de ilusões, difícil é deixar ir embora aquilo que você está acostumado a ter, nem que seja uma simples idéia, uma pequena ambição de se formar antes dos 30. E por essa idéia, você deixa de viver o agora, deixa de fazer aquilo que você realmente gosta para continuar atrás de um "sonho" que não tem muito fundamento. 
Eu não acho que serei realizada me formando daqui dois anos, só de pensar nisso me dá vontade de fugir e começar tudo de novo. Mas imaginem o quanto de gente vem me dizer que todo o tempo que gastei até agora para chegar onde estou, será desperdiçado se eu tomar um rumo diferente agora? Pensei muito sobre isso e conclui que nada é tempo perdido, tudo é aprendizado, e a vida é curta demais para que a gente persista nos mesmos erros. 
Talvez as coisas estejam começando a ficar mais claras, talvez em breve eu voltarei aqui pra dizer pra vocês que eu me libertei. Que eu finalmente perdi meu medo de largar a faculdade de direito e fui estudar jornalismo que é o que eu sempre quis fazer.
Talvez isso nunca aconteça. Vai depender do nível do meu medo sem fundamento e do tamanho da vontade que eu tenho de me desapegar daquilo que já não me faz bem. E você, do que tem medo, do que você precisa se desapegar para se libertar e correr o grande risco de viver a maior aventura da sua vida, que é descobrir aquilo que te eleva ?