27 de set de 2015

Amar quem nāo te ama


Quando você ama alguém é difícil nāo pensar naquela pessoa, difícil nāo querer estar por perto, saber como ela está e querer saber como foi o seu dia. Quando você ama alguém, isso pode ser bom ou ruim, é bom quando é correspondido, quando os pensamentos se encontram e uma ligaçāo se torna inevitável. É ruim quando apenas uma pessoa ama e a outra nāo. É difícil nāo ser correspondido, saber que você é o único que se importa, o único que liga, o único que sonha. 
É difīcil alimentar sentimentos que te causam ansiedade, difícil levantar de manhā sabendo que o seu amor nāo vale nada, nem um segundo do tempo da pessoa que você tanto pensa e quer bem. 
Como aprender a deixar de amar quem nāo te ama ? Como aprender a deixar ir embora um sentimento tāo lindo que deveria fazer bem, que deveria trazer alegria mas ao invés disso só traz angústia ? 
Deixar de amar quem nāo te ama é mais difícil do que qualquer outra coisa, você precisa abrir māo dos seus planos, dos seus sonhos e criar um novo mundo, uma nova vida onde a existência daquela pessoa nāo faça diferença alguma na sua. É preciso criar uma nova história onde o seu personagem é feliz e encontra um milhāo de razões para sorrir, e aquela pessoa definitivamente nāo é uma delas. 
Nāo é uma tarefa fácil, você vai chorar por muitas noites, engolir a indiferença no silêncio, ter que achar forças em algum lugar dentro de você, talvez exista ainda um pouquinho de força para se amar mais, nāo desista, continue procurando.
A vida é bela e deve continuar independente das adversidades que os sentimentos trazem. É preciso persistir, nāo aceitar nada menos do que ser feliz, nāo se submeter as migalhas alheias que ousam chamar de amor, nāo se contentar com palavras vazias, porque até onde eu saiba, dizer que ama nāo significa amar, nem de longe. 
Essa angústia que te consome um dia vai passar, um dia a indiferença nāo vai mais doer, um dia a felicidade vai bater na sua porta e sua única opçāo será abrir, e entāo todo o seu esforço será recompensado. 
Nāo deixe de sonhar só porque alguém nāo soube valorizar o melhor que havia dentro de você, nāo deixe de tentar só porque suas tentativas anteriores falharam. Tudo nessa vida é passageiro, até mesmo o amor que você achou que seria para sempre.

24 de set de 2015

Sobre a felicidade e o desapego




Eu cresci sendo convencida de que para ser feliz eu precisaria de uma lista de coisas. Uma lista bem comum e parecida para milhares de seres humanos. Me disseram que eu precisava de um trabalho legal, me falaram que sem uma graduação eu nunca seria ninguém na vida. Me fizeram acreditar que a felicidade está no resultado de conquistas materiais, em ser parte de uma família, ter filhos, sucesso na carreira e um saldo positivo no banco.
Mas eu me lembro que nos momentos mais felizes da minha vida, nenhum item dessa lista estava incluso. Acho que é porque a felicidade é diferente para cada um e é injusto que essa idéia padronizada de felicidade nos seja vendida deste o nosso nascimento. Fazendo com que tudo que a gente faça, que seja diferente do caminho que nos levará a obter as coisas da lista, seja considerada como uma grande heresia. Eu até entendo que essa lista possa de fato fazer alguém feliz, mas não eu. Cá estou, trabalhando, estudando, me preparando para um futuro brilhante, e nunca estive tão confusa e perdida em toda a minha vida. Parece que depois que comecei a perseguir estes ideais padronizados, meu chão sumiu. Eu já não tinha mais certeza de que viver intensamente e de forma não convencional era o que eu realmente queria para mim. Ninguém me mostrou esse lado, ninguém me vendeu esse ideal. Era apenas uma idéia que eu tinha na mente, um desejo que ardia no coração, pensamentos livres que me elevavam ao estado de felicidade máxima. O erro foi meu, me deixei ser influenciada, me vendi para o sonho alheio, deixei que o mundo me comprasse com a sua propaganda perfeita de uma vida feliz. Mas sabe, nunca é tarde para praticar o desapego , principalmente o desapego daquilo que não te faz feliz. Existe uma grande barreira para o desapego chamada MEDO. E muitas vezes esse medo não tem sentido algum. Tememos as coisas que podem ou não acontecer nas nossas vidas, baseando todas as nossas decisões em cima de algo que é incerto. Que pode acontecer sim, mas talvez nunca aconteça. É preciso arriscar, deixar ir embora aquilo que não cabe mais, jogar no lixo os sentimentos velhos, reciclar-se , dar-se uma nova chance de sonhar de novo, sonhar diferente, sem influências externas, sem pretensões materiais exorbitantes. É preciso se desapegar para se descobrir, somos capazes de tantas coisas, mas talvez a gente nunca vá descobrir o tamanho dessa capacidade e o impacto que ela causaria , pois tivemos medo demais para tentar o novo. Viver o comum é fácil, ir pra faculdade é fácil, trabalhar é fácil, até ter uma família é fácil. Difícil é se achar nesse mar de ilusões, difícil é deixar ir embora aquilo que você está acostumado a ter, nem que seja uma simples idéia, uma pequena ambição de se formar antes dos 30. E por essa idéia, você deixa de viver o agora, deixa de fazer aquilo que você realmente gosta para continuar atrás de um "sonho" que não tem muito fundamento. 
Eu não acho que serei realizada me formando daqui dois anos, só de pensar nisso me dá vontade de fugir e começar tudo de novo. Mas imaginem o quanto de gente vem me dizer que todo o tempo que gastei até agora para chegar onde estou, será desperdiçado se eu tomar um rumo diferente agora? Pensei muito sobre isso e conclui que nada é tempo perdido, tudo é aprendizado, e a vida é curta demais para que a gente persista nos mesmos erros. 
Talvez as coisas estejam começando a ficar mais claras, talvez em breve eu voltarei aqui pra dizer pra vocês que eu me libertei. Que eu finalmente perdi meu medo de largar a faculdade de direito e fui estudar jornalismo que é o que eu sempre quis fazer.
Talvez isso nunca aconteça. Vai depender do nível do meu medo sem fundamento e do tamanho da vontade que eu tenho de me desapegar daquilo que já não me faz bem. E você, do que tem medo, do que você precisa se desapegar para se libertar e correr o grande risco de viver a maior aventura da sua vida, que é descobrir aquilo que te eleva ?

11 de set de 2015

Por que a vida fica melhor quando você liga o FODA-SE ?



Hoje de manhã estava refletindo sobre o quanto a vida é injusta e nos maltrata. As vezes até demais, as vezes quando você mais precisa nenhum filho da puta se propõe a te ajudar. Raríssimas são as pessoas que realmente se importam com a gente de verdade, raras são as coisas que realmente nos trazem alegria para a alma. Me peguei pensando em inúmeras situações em que me calei, deixei passar apenas pra não me estressar, e agora percebo que isso não faz muito sentido. Já evitei discussões, pessoas e lugares, tudo pra não me expor a situações em que eu sabia que iria me magoar. Mas agora pensei melhor e decidi que não vou mais esconder minhas opiniões, meus pensamentos serão mais livres do que nunca, minhas decisões serão tomadas apenas pensando em mim e no meu bem estar. Por que afinal, quem se importa? Cheguei em um ponto de explosão, não vou mais guardar pra mim o que se passa na minha mente, porque estou cansada de ver o mundo cheio de idéias patéticas, gente escrota e traidora e não falar nada sobre isso. Estou cansada de ver as coisas tomando um rumo que eu não quero e me calar. Estou cansada de ver a vida passando e continuar no mesmo lugar. Eu decidi que não mais terei medo, não mais pensarei em prós e contras como uma boa garota deve fazer. Eu decidi ligar o foda-se porque no final, quem se importa ? Timão e Pumba já sabiam disso há muito tempo, que quando o mundo vira as costas para você, você vira as costas para o mundo ! Então é isso ! Vamos todos ligar o foda-se, falar o que a gente pensa sem papas na língua, sem medir se fulano x vai gostar da nossa opinião ou não. Chega de se esconder , chega de não mostrar pro mundo quem nós somos de verdade, chega de não termos nossa liberdade, no final é só isso que levamos dessa vida. Então vamos aproveitar o agora para sermos a versão mais pura e verdadeira de nós mesmos, vamos nos libertar das correntes dos bons costumes e ligar um foda-se bem grande pra todo mundo que tentar nos impedir.

\o/ 

10 de set de 2015

Dermatite atópica e corticóides tópicos




Quem tem dermatite atópica já usou pelo menos uma vez na vida algum medicamento com corticóide. Depois de 25 anos de D.A. fui aprendendo com o tempo o que me fazia bem e o que fazia mal. Infelizmente demorou tempo demais para perceber o quanto o efeito dessa droga pode ser devastador e o quanto ela mais atrapalhou do que ajudou. A pergunta que não quer calar é:por que médicos continuam prescrevendo corticóides descontroladamente para atópicos? Já fui em diversos médicos e rara foram as vezes que me trataram com a devida atenção. Será que eles não aprendem na faculdade que dermatite atópica não tem cura? Será que eles não estudaram os efeitos dos corticóides tópicos a longo prazo na pele de um atópico? Por que é que ainda tratam a dermatite atópica como se fosse uma doença passageira que precisa ter apenas os sintomas combatidos? Não funciona assim, quem tem essa doença há algum tempo sabe muito bem do que estou falando. Sempre que eu estava em crise, eu usava cremes com corticóides, o que me ajudava bastante mas o preço a pagar por essa ajuda mísera e temporária era bem alto. Na semana seguinte, tudo que tinha melhorado com o remédio, voltava duplamente pior. Aí eu voltava correndo pro médico e o que ele me recomendava ? MAIS CORTICÓIDE! Adivinhem o que acontecia uma semana depois ? Sintomas piores, lesões maiores do que as que tinham inicialmente. É um ciclo que não acaba, é horrível, é desumano, é violento! Eu vivi assim por um longo tempo, tratava minha pele com o que tinha e me acostumei a ter semanas boas e semanas ruins, até que um dia eu chutei o balde e parei de usar corticóides tópicos, foi quando eu conheci o Protopic, o único remédio que realmente me ajudou sem ter um efeito rebote do inferno. Hoje é bem difícil eu ter uma crise como as que eu tinha antigamente, não tenho fotos para mostrar, talvez isso seja bom, nunca mais quero saber o que é ter o corpo todo sangrando em carne viva por causa de imperícia médica. É uma triste realidade que poucos conseguem ver, é algo que eu gostaria que mudasse, é algo que todos os médicos que pensam em cuidar de atópicos deveriam estudar mais a fundo, porque se eles não sabem desse tipo de informação, como é que nós , meros pacientes iremos saber? Demorou pra eu descobrir, muitas pessoas ainda não sabem, muitos ainda continuarão cuidando da dermatite atópica desse jeito ridículo e insustentável. Eu tenho efeitos colaterais por causa do uso dessa droga até hoje, infelizmente irreversíveis. Por favor, converse mais com seu médico sobre opções alternativas, pergunte sobre todos os efeitos que o remédio vai causar, discuta sobre as possibilidades, não vá pra casa com dúvida, não vá correndo pra farmácia comprar o seu tratamento sem saber tudo sobre ele antes. Depois pode ser tarde demais. Nós merecemos respeito e a verdade sobre nossa condição. Dermatite atópica não tem cura, é algo que você leva pra vida com você, ela se torna parte de quem você é e cabe a você decidir como você vai viver com ela. Sempre busque segundas opiniões e métodos alternativos !

Fonte : minha vida

8 de set de 2015

Polônia : 5 coisas que eu sinto falta

Minha querida Polska, quantos momentos bons passamos juntas!  Você foi o lugar mais longe de casa que eu consegui chegar, o mais diferente e sem dúvidas o mais encantador. Já faz dois meses, mas parece que foi ontem. Não me esqueço do embarque, um voo que demorou tanto para chegar mas que quando chegou, trouxe consigo sonhos e alegrias indescritíveis. Ainda me lembro do que senti quando olhei para o céu polonês pela primeira vez, dos sabores, dos sons, das cores e das emoções que durarão por toda uma vida. E entre tantas coisas maravilhosas, hoje eu queria compartilhar um pouco das que mais sinto falta.

1- O dia que nunca acaba
Na Polônia o dia começa cedo e termina tarde. Foi realmente um grande choque ver o céu claro as 4:00 da manhã e depois ver o relógio apontar 11:00 da noite e o céu ainda estar clarinho.  No começo eu achava ruim, não conseguia dormir direito e acordava todo dia achando que estava atrasada,  mas depois que me acostumei, comecei a achar legal ter um dia longo. Um céu claro dá a impressão de que ainda temos muito tempo para fazer tudo que quisermos e consequentemente, vivemos mais e sem preguiça. 

                                4:00 da manhã em Lodz


2- Zapiekanka
Apenas a comida mais legal e prática que existe. Olha, não é fácil ser vegetariana num país que tem salsicha até na lojinha de conveniência do posto de gasolina. Encontrar a zapiekanka foi uma surpresa muito agradável, se alguém souber de algum restaurante polonês em SP me avisa ! 

                     Minha última zapiekanka em Cracóvia

3- Cervejas
As cervejas polonesas são muito gostosas, tentei experimentar o máximo de rótulos que consegui enquanto estava lá e nenhuma deixou a desejar. A minha favorita é Kasztelan, que eu ainda não tive a sorte de conseguir achar por aqui. 

                          Primeira cerveja em Varsóvia

4- Amigos
Fazia muito tempo que eu não sabia mais como era fazer coisas em grupo. Durante todo o tempo, tudo que eu fazia era junto com o grupo da faculdade, nos encontramos no aeroporto e voamos no mesmo voo inclusive. Todos os dias foram assim, café da manhã, ir pra aula andando, almoço, pós almoços preguiçosos na grama da faculdade, passeios pela cidade, viagens, compras, TUDO !  Eu não lembrava mais como era legal ter tanta gente querida por perto, pra dividir todas as coisas , os anseios, as alegrias e até mesmo as tristezas. O pior de tudo é que todas essas pessoas estão na mesma cidade que eu, mas nunca vai ser como antes. Em SP não temos tempo, as distâncias ficam maiores e o espaço para encaixar momentos como os que tivemos na Polônia são raríssimos. 
Espero que se eles lerem isso, saibam o quanto são queridos por mim e que sempre desejarei o melhor para cada um, mesmo que eu não possa estar presente, sempre terei comigo as nossas memórias, sempre terei o sentimento de gratidão por ter tido companheiros de viagem tão legais. 

                             Grupão reunido na Áustria


5- Zloty e o valor das coisas
A moeda da Polônia vale um pouco menos que o nosso real, além disso, o valor que se paga pelas coisas é extremamente justo. Saudades eterna de ir no mercado e com apenas 15 zlotys comprar várias coisas. Aqui em SP com 15 reais não dá pra comprar nem o café da manhã pra semana. De todos os países europeus que visitei, a Polônia foi onde menos gastei, mesmo nos restaurantes mais caros, o preço de uma refeição bem servida não ultrapassava 40 zlotys. Sempre usavamos táxis e dividiamos o valor, o que dava em média uns 3 zlotys pra cada pessoa, mais barato que ir de ônibus. Quando fui do hotel para a estação de trem (sim, aquela na qual eu passei um perrengue dos grandes e deixo essa história  pra outro post) que era uns 20 minutos de distância, gastei 30 zlotys. Muito barato, muito bom, zloty é vida <3 



Espero que tenham gostado deste post e se alguém tiver alguma dúvida sobre a viagem pode me chamar a qualquer hora que responderei com o maior prazer :)

2 de set de 2015

Viajar é preciso


                                    (Viajando da Polônia para a Austria)

O que eu sinto mesmo é falta de estar lá fora, em algum lugar, qualquer lugar. Sinto falta das comidas estranhas, dos idiomas que soam engraçado para os meus ouvidos, das pessoas diferentes espalhadas por todo lado. Queria poder ir e não voltar, viajar de carona pelo mundo e morrer na estrada. Digo para vocês que o jeito mais fácil de sufocar um ser que ama viajar é deixar ele preso em um escritório ou numa sala de aula. Eu quero aprender lá fora, quero trabalhar lá fora,  quero por a mão na massa, quero viver na pele o frio, o calor , o vento, a fome , a sede , a dor da saudade e as lágrimas do retorno para casa. Deve ser por isso que as vezes me sinto triste, me sinto obrigada a estar em lugares que eu não gostaria, sei que eu mesma me trouxe até onde estou por vontade própria, mas talvez eu não goste muito das minhas escolhas. As vezes me sinto triste, profundamente sem saída, me sinto ingrata com a vida. Eu tenho tudo que preciso para viver, vivo bem e feliz, então por que me sinto tão para baixo as vezes ? Busco essa resposta dentro de mim, as vezes confundo com saudades de alguma coisa que eu nem sei o que é , mas no fundo eu sei que é só vontade de viajar mais. Eu queria estar a caminho do aeroporto, sentindo aquele frio na barriga que dá antes de embarcar para o desconhecido. Eu sinto falta de andar em ruas que eu não conheço, me perder, me achar, comemorar, experimentar tudo de novo que o mundo tem para me dar. Mas ai eu me lembro que ainda estou aqui, andando nas mesmas ruas de sempre, falando com as mesmas pessoas e a caminho de mais uma possível aula chata. Me convença a gostar de viver uma vida normal quando eu sinto que apenas o que é diferente do comum me atrai. E agora estou aqui, tentando convencer a mim mesma que tudo isso é passageiro, que amanha eu já estarei conformada e feliz em viver um dia igual ao anterior. Me convença que viver tem que ser chato e igual, me convença que desfrutar da vida é ter uma casa e uma família normal. Eu me decidi então, guardar todo o meu anseio e todo o meu dinheiro para um único fim: conhecer o mundão. É por isso que faço o que faço, que venham mais mil dias de sol que não poderei sentir queimar minha pele, que venham mais mil aulas chatas que terei que engolir, é tudo por um objetivo maior. Daqui a pouco estarei partindo de novo, já não consigo mais conter essa grande ansiedade de partir logo para um país novo, afinal, o mundo é grande demais e o tempo é incerto, quase sempre curto. Me explique como os outros seres humanos também não se sentem assim ?