21 de ago de 2015

Talvez eu seja atrasada, talvez eu seja diferente.





Enquanto as meninas da escola estavam usando maquiagem e correndo atrás de namoradinhos, eu estava lendo e viajando. Enquanto todas queriam estar na moda, eu vestia o que era confortável e fazia o que quisesse com o meu cabelo. Nunca perdi tempo levantando mais cedo pra me arrumar e ir pra escola, nunca me importei com o que iriam pensar do meu rosto, das minhas roupas, do meu cabelo, de mim. Genuinamente, sempre fui extremamente livre de todas as formas possíveis, qualquer coisa que pudesse ameaçar a minha amada liberdade, era descartado imediatamente sem pesar consequências. Liberdade sempre foi a coisa mais importante, o meu valor principal, o que me colocou nos caminhos que me trouxeram até aqui. Olho para trás e não me arrependo de nada que foi feito. Hoje, vejo que as pessoas que mais pisaram em mim, principalmente na época da escola, estão em um lugar onde eu jamais gostaria de estar. Aquela garota que era a gostosinha da turma e se achava o máximo, se casou com o primeiro ignorante do bairro e com ele teve filho atrás de filho, nunca conseguiu ultrapassar as fronteiras da sua própria cidade. Não viajou, não estudou, não leu, não sorriu, não viveu. No fundo eu sinto pena, pois eu realmente era massacrada por garotas assim e talvez por alguns momentos eu me sentisse mal por ser tão diferente, mas hoje sei que fiz a coisa certa em não querer ser igual a todo mundo. Hoje eu sei que ser diferente é legal, que pensar fora da caixa é um privilégio que poucas pessoas possuem, tudo depende de oportunidades e eu sou grata por ter tido a chance de conviver com pessoas que sempre me inspiraram a ser melhor. Enquanto estas pessoas se tornaram tudo o que eu não quero ser, eu me tornei tudo o que elas jamais serão. A grande diferença entre nós é que eu não fui junto com a massa, eu fui fiel ao meu coração o tempo inteiro, eu não quis ser igual a ninguém além de mim mesma. Hoje, sou grata por não ter sido aceita em grupinhos e por ter sido a última menina da turma a beijar um garoto pela primeira vez. Hoje, eu sou grata por ter brincado de boneca até os 14 anos, por não trocar meus livros por festinhas estúpidas, por não perder minha inocência cedo demais como os outros fizeram. Minha infância foi tão duradoura que até hoje me sinto uma criança, vejo o mundo com os mesmos olhos, tudo me surpreende, tudo me encanta e a vida me fascina cada vez mais. Então talvez eu deva usar o que sei para me conformar, pois hoje, a história se repete mais uma vez. Vejo muitos colegas indo por um caminho, enquanto eu fico para trás e indecisa, mas sinto aquela coisa lá no fundo da alma que me diz que eu devo esperar. Eu vou seguir a minha intuição porque sempre deu certo. Hoje, ainda estou um pouco “atrasada”, mas talvez eu seja apenas diferente. Todos estão casando, tendo filhos, terminando a faculdade enquanto eu acordo de manhã pensando na minha próxima viagem, imaginando como será o próximo continente que irei visitar, vou pra faculdade já pensando no próximo curso que irei fazer, imagino todas as possibilidades que existem como certas para mim. Tudo é possível, tudo é conquistável, e por que não seria? Muita gente da minha idade já sabe o que quer, e eu ainda estou vivendo como se tivesse 17 anos, e quem disse que isso é errado? Talvez um dia, estas mesmas pessoas olharão para mim e pensarão “gostaria de ter feito o que você fez” e assim a história se repete. Eu só queria dizer tudo isso, porque tenho certeza que muitas meninas se sentem como eu me sentia, que muitas mulheres se sentem como eu me sinto e que só porque todo mundo faz uma coisa, não quer dizer que esta coisa esteja certa. Então, se você é diferente, continue sendo assim, se você não quer ir com os outros, fique. A vida tem caminhos misteriosos que nos levam a tesouros magníficos e inimagináveis. É um erro imperdoável abrir mão de ser você mesma para tentar se encaixar numa sociedade corrompida pela ganância. Seja você mesma, use o que quiser, seja honesta com seus desejos mais profundos, pois é isso, apenas isso que realmente importa. A gente nasce e morre sozinho, a luta de cada um é tão individual para que a gente perca tempo pedindo opinião alheia ! A sua opinião é a única que deve importar pra você, a suas escolhas devem ser exclusivamente suas. O mundo é grande demais, já tem sujeira e confusão demais, todos mandam e desmandam, a única coisa que você pode fazer é decidir sobre sua própria vida e não se deixar influenciar pela maioria jamais. Que o mundo inteiro se exploda, a sua liberdade de ser o que você quiser ninguém pode tirar.


Beijos,

Vaanz 
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