12 de ago de 2015

Eu não quero




Hoje eu não quero pensar, não quero tentar, só quero esquecer. Não quero lembrar, apenas estar e assim permanecer. No silêncio ou no barulho , no escuro do meu quarto ou sob a luz que do sol emana, só quero existir e não sentir. Nem ao menos sei se isso é possível, uma existência sem sentimentos para processar. Como seria acordar sem sentir solidão, chegar em uma casa vazia e nunca sentir tristeza? Como seria ser machucada sem sentir ódio e vontade de vingança? Como seria dormir sem precisar acordar? Passo horas me perguntando se tudo seria perfeito se minhas emoções fossem menos intensas, se meu choro fosse falso, se minha alegria não fosse tirada de mim por coisas fúteis. Eu me deixo abalar por pouco, sofro em demasia, me enterro na agonia da espera, como se o amanhã não fosse real, como se o passado inteiro não significasse nada. Poucos entendem a dor de ser um ser tão sensível, de ser um ser que as vezes não quer ser mais nada, só para acabar de vez com toda a angústia de não saber a verdade sobre nada e ninguém, acabar com a incerteza, aquela que vive te dizendo que o que você faz não está certo e você vai se arrepender. Seria perfeita se não sentisse tanto, se não me preocupasse tanto ? Seria perfeita se não me deixasse levar, se não acreditasse em mais nada que me falam, em nada que me mostram? Nunca saberei a resposta para minhas perguntas, pois não há um dia nesta estrada solitária em que eu não sinta pelo menos um sentimento muito forte, que me domina da cabeça aos pés, que me transforma em um ser humano capaz de fazer qualquer coisa, qualquer loucura, chame como quiser. Eu nunca saberei como é simplesmente não sentir, porque mesmo quando não sinto nada, eu sinto tudo, sou como um vulcão prestes a entrar em erupção, sem avisos, sem tempo para fugir. Coloco em pedaços tudo aquilo em que encosto, pois não suporto que em mim encostem, transformo em cinzas tudo aquilo que ousa me desafiar, coloco um fim na vida de tudo que tenta a minha vida tirar.

A insanidade não se explica.
O silêncio não ajuda.
O tempo não existe.


Por que sentir tanto afinal?