27 de ago de 2015

Independência ou morte





Independência e liberdade sempre foram sinônimos no meu vocabulário. Um jamais existirá sem que o outro se faça presente. Lutei muito para conseguir ter os dois. Em minha relativamente curta jornada até o momento, sempre fiz o máximo para nāo deixar que nada fosse mais importante do que estes dois valores de extrema relevância para a formaçāo do meu caráter.
A maioria das pessoas tem uma mania MUITO feia de olhar apenas para os resultados dos seus esforços e colocar um rótulo gigante na sua testa. Parem ! Simplesmente. É muito fácil olhar pra pessoa que está na merda e falar que ela nāo é esforçada ou boa o suficiente, justamente no momento em que ela mais precisa de apoio e palavras de incentivo, vem a sociedade e a julga sem pensar nas consequências, sem noçāo do peso que uma palavra tem, sem noçāo do efeito que uma frase pode fazer na vida de uma pessoa. É muito fácil também olhar para uma pessoa que está bem na vida e dizer que ela teve sorte. Toda luta tem seu valor, toda atitude tem por trás dela um grande ato de coragem e renúncia. Poucas pessoas conseguem enxergar isso, e entāo vem os julgamentos antecipados, os preconceitos nojentos, o machismo descarado e a falsa empatia. Tenho nojo de tudo isso, apesar de estarmos no século XXI as vezes sinto que ainda estamos na idade média. Sabe como é, tenho sorte de trabalhar em um ambiente onde 95% dos funcionários sāo homens, porém, muito educados e cordiais, coisa que eu sei com absoluta certeza que nāo é realidade para outras mulheres. É aqui que eu queria chegar, a liberdade e independência que andam de māos dadas , decorre da conquista do seu espaço no mercado de trabalho. Sei que tive sorte de ter nascido na época certa, sei que em algum lugar do passado uma menina da minha idade jamais sonharia com a liberdade que eu tenho. Mas devo tudo isso aquelas que lutaram para que o meu direito de ser livre fosse possível. O meu direito de trabalhar, votar, estudar, quantas nāo tiveram e ainda nāo tem ? Até quando vai ser assim ? Ainda existe muito que precisa mudar para que eu seja completamente livre. É inaceitável que eu tenha que sentir medo de voltar da faculdade para casa as 22:30, depois de ter trabalhado e estudado o dia inteiro, ter que sentir medo de ser estuprada e morta, todos os dias. Isso nāo é liberdade, isso nāo é independência. Mas se eu cheguei até aqui, nāo é por causa de uma sociedade machista que vou desistir agora. Tenho pouquíssimas figuras masculinas que me representam, com certeza o meu pai nāo é uma delas, pois ele me abortou no momento em que nāo quis assumir sua responsabilidade (e esse aborto nāo é criminalizado nāo é mesmo?). Mas isso foi ótimo por dois motivos : cresci idolatrando duas mulheres fortes e aprendi que a presença de um homem na minha vida é tāo necessária quanto uma capivara do rio pinheiros. Acho que já passou da hora dessa merda mudar, já passou da hora de parar com esse conformismo estúpido e começar a lutar por mais espaço, nāo por mim mas por todas que ainda nem sonham em ser livres e independentes. Nāo consigo mais pensar apenas no meu corre enquanto uma mulher é estuprada a cada quatro minutos no meu país. Onde está a minha liberdade eu pergunto pra vocês ? Onde está a minha independência ? É justo viver assim ?

21 de ago de 2015

Talvez eu seja atrasada, talvez eu seja diferente.





Enquanto as meninas da escola estavam usando maquiagem e correndo atrás de namoradinhos, eu estava lendo e viajando. Enquanto todas queriam estar na moda, eu vestia o que era confortável e fazia o que quisesse com o meu cabelo. Nunca perdi tempo levantando mais cedo pra me arrumar e ir pra escola, nunca me importei com o que iriam pensar do meu rosto, das minhas roupas, do meu cabelo, de mim. Genuinamente, sempre fui extremamente livre de todas as formas possíveis, qualquer coisa que pudesse ameaçar a minha amada liberdade, era descartado imediatamente sem pesar consequências. Liberdade sempre foi a coisa mais importante, o meu valor principal, o que me colocou nos caminhos que me trouxeram até aqui. Olho para trás e não me arrependo de nada que foi feito. Hoje, vejo que as pessoas que mais pisaram em mim, principalmente na época da escola, estão em um lugar onde eu jamais gostaria de estar. Aquela garota que era a gostosinha da turma e se achava o máximo, se casou com o primeiro ignorante do bairro e com ele teve filho atrás de filho, nunca conseguiu ultrapassar as fronteiras da sua própria cidade. Não viajou, não estudou, não leu, não sorriu, não viveu. No fundo eu sinto pena, pois eu realmente era massacrada por garotas assim e talvez por alguns momentos eu me sentisse mal por ser tão diferente, mas hoje sei que fiz a coisa certa em não querer ser igual a todo mundo. Hoje eu sei que ser diferente é legal, que pensar fora da caixa é um privilégio que poucas pessoas possuem, tudo depende de oportunidades e eu sou grata por ter tido a chance de conviver com pessoas que sempre me inspiraram a ser melhor. Enquanto estas pessoas se tornaram tudo o que eu não quero ser, eu me tornei tudo o que elas jamais serão. A grande diferença entre nós é que eu não fui junto com a massa, eu fui fiel ao meu coração o tempo inteiro, eu não quis ser igual a ninguém além de mim mesma. Hoje, sou grata por não ter sido aceita em grupinhos e por ter sido a última menina da turma a beijar um garoto pela primeira vez. Hoje, eu sou grata por ter brincado de boneca até os 14 anos, por não trocar meus livros por festinhas estúpidas, por não perder minha inocência cedo demais como os outros fizeram. Minha infância foi tão duradoura que até hoje me sinto uma criança, vejo o mundo com os mesmos olhos, tudo me surpreende, tudo me encanta e a vida me fascina cada vez mais. Então talvez eu deva usar o que sei para me conformar, pois hoje, a história se repete mais uma vez. Vejo muitos colegas indo por um caminho, enquanto eu fico para trás e indecisa, mas sinto aquela coisa lá no fundo da alma que me diz que eu devo esperar. Eu vou seguir a minha intuição porque sempre deu certo. Hoje, ainda estou um pouco “atrasada”, mas talvez eu seja apenas diferente. Todos estão casando, tendo filhos, terminando a faculdade enquanto eu acordo de manhã pensando na minha próxima viagem, imaginando como será o próximo continente que irei visitar, vou pra faculdade já pensando no próximo curso que irei fazer, imagino todas as possibilidades que existem como certas para mim. Tudo é possível, tudo é conquistável, e por que não seria? Muita gente da minha idade já sabe o que quer, e eu ainda estou vivendo como se tivesse 17 anos, e quem disse que isso é errado? Talvez um dia, estas mesmas pessoas olharão para mim e pensarão “gostaria de ter feito o que você fez” e assim a história se repete. Eu só queria dizer tudo isso, porque tenho certeza que muitas meninas se sentem como eu me sentia, que muitas mulheres se sentem como eu me sinto e que só porque todo mundo faz uma coisa, não quer dizer que esta coisa esteja certa. Então, se você é diferente, continue sendo assim, se você não quer ir com os outros, fique. A vida tem caminhos misteriosos que nos levam a tesouros magníficos e inimagináveis. É um erro imperdoável abrir mão de ser você mesma para tentar se encaixar numa sociedade corrompida pela ganância. Seja você mesma, use o que quiser, seja honesta com seus desejos mais profundos, pois é isso, apenas isso que realmente importa. A gente nasce e morre sozinho, a luta de cada um é tão individual para que a gente perca tempo pedindo opinião alheia ! A sua opinião é a única que deve importar pra você, a suas escolhas devem ser exclusivamente suas. O mundo é grande demais, já tem sujeira e confusão demais, todos mandam e desmandam, a única coisa que você pode fazer é decidir sobre sua própria vida e não se deixar influenciar pela maioria jamais. Que o mundo inteiro se exploda, a sua liberdade de ser o que você quiser ninguém pode tirar.


Beijos,

Vaanz 
Emoticon smil

12 de ago de 2015

Eu não quero




Hoje eu não quero pensar, não quero tentar, só quero esquecer. Não quero lembrar, apenas estar e assim permanecer. No silêncio ou no barulho , no escuro do meu quarto ou sob a luz que do sol emana, só quero existir e não sentir. Nem ao menos sei se isso é possível, uma existência sem sentimentos para processar. Como seria acordar sem sentir solidão, chegar em uma casa vazia e nunca sentir tristeza? Como seria ser machucada sem sentir ódio e vontade de vingança? Como seria dormir sem precisar acordar? Passo horas me perguntando se tudo seria perfeito se minhas emoções fossem menos intensas, se meu choro fosse falso, se minha alegria não fosse tirada de mim por coisas fúteis. Eu me deixo abalar por pouco, sofro em demasia, me enterro na agonia da espera, como se o amanhã não fosse real, como se o passado inteiro não significasse nada. Poucos entendem a dor de ser um ser tão sensível, de ser um ser que as vezes não quer ser mais nada, só para acabar de vez com toda a angústia de não saber a verdade sobre nada e ninguém, acabar com a incerteza, aquela que vive te dizendo que o que você faz não está certo e você vai se arrepender. Seria perfeita se não sentisse tanto, se não me preocupasse tanto ? Seria perfeita se não me deixasse levar, se não acreditasse em mais nada que me falam, em nada que me mostram? Nunca saberei a resposta para minhas perguntas, pois não há um dia nesta estrada solitária em que eu não sinta pelo menos um sentimento muito forte, que me domina da cabeça aos pés, que me transforma em um ser humano capaz de fazer qualquer coisa, qualquer loucura, chame como quiser. Eu nunca saberei como é simplesmente não sentir, porque mesmo quando não sinto nada, eu sinto tudo, sou como um vulcão prestes a entrar em erupção, sem avisos, sem tempo para fugir. Coloco em pedaços tudo aquilo em que encosto, pois não suporto que em mim encostem, transformo em cinzas tudo aquilo que ousa me desafiar, coloco um fim na vida de tudo que tenta a minha vida tirar.

A insanidade não se explica.
O silêncio não ajuda.
O tempo não existe.


Por que sentir tanto afinal?