21 de mai de 2015

Crescer é preciso




Ainda me lembro das tardes na rede, das noites que caiam como pétalas na água, leves, simples e audaciosamente belas.
Me lembro das fotos, dos desejos que emanavam do coração sem segundas intenções, sem pretensões de ter mais do que era merecido, apenas o desejo de ser o ser mais feliz do universo.
As vezes penso que tudo isso se perdeu em algum lugar, talvez esteja dentro da minha carteira bagunçada, ou nos meus diários que fiz questão de queimar. Talvez o meu passado tenha ficado junto com as cinzas daquelas páginas, que viraram pó, se misturaram no ar, e hoje todos respiram as mesmas emoções que por mim já foram vividas. Seria belo se não fosse cruel.
Seria intenso se não fosse patético e menos estranho se eu me sentisse um pouquinho mais normal.
Não consigo mais lembrar, escrevi todos os sentimentos que haviam em mim para serem eternizados no tempo, preocupei-me tanto em tira-los da minha alma, que acabei por me esquecer como é sentir.
Os anos se passaram violentamente, há 10 anos atrás eu imaginava que hoje, eu teria mais certezas do que dúvidas. O tempo levou minha inocência e a esperança que eu tinha nas coisas simples, levou meus sorrisos infantis que só precisavam de uma boa piada ou ver alguém tropeçando na rua para rir. Eu costumava ser menos complexa, uma tarde no sofá depois da aula, um livro , uma comédia romântica, uma panela com brigadeiro e uma latinha de coca cola costumava ser o suficiente para me deixar alegre. Quando foi que me perdi em pensamentos e devaneios? Quando foi que deixei escapar a melhor parte de mim?
Hoje, minha única certeza é que não terei certeza alguma amanhã.
Minha alegria é olhar para trás e tentar me achar, resumir todos os dramas e lágrimas em poesias curtas, como forma de protesto ao tempo que insiste em me tirar os bons costumes.
Talvez hoje pela primeira vez eu entenda de fato, o verdadeiro significado do que é crescer e ter que enfrentar a vida da melhor forma possível. Hoje entendo melhor o conceito de perdão e dar chances, não uma ou duas, mas várias. Todos os dias dar chance para a vida me surpreender e me deixar encantar pelos motivos mais aleatórios e bobinhos do planeta.
Eu sou assim mesmo, eu era diferente, mas acho que cresci.