24 de set de 2014

Eu me demito !



Faz tempo que deixei de gostar de surpresas, especialmente aquelas que chegam para mudar  minha vida. Me transformei em uma máquina perfeita de controle e manipulação. Controle, era tudo que eu queria ter. Contar calorias, convencer pessoas, medir espaços, prever situações e conversas, estar sempre um passo a frente de tudo, para nunca mais ser surpreendida. Não acreditar em nada e ninguém, para nunca mais ser decepcionada. Isso funcionou por muito tempo e apesar de cinza, minha vida tinha reflexos coloridos nos dias de sol. Mas eu controlei tantas coisas que perdi o controle sobre a única que realmente importava: minha alegria.
Deixei de comer, deixei de sair, parei de ver pessoas, me escondi em minha caverna, segura de tudo que pudesse me contradizer, protegida de todos os comentários negativos que diziam que o que eu estava fazendo era errado. 
Até que um dia eu tive um sonho, tudo estava ok e eu era feliz como não sou quando estou acordada. Mas neste dia eu acordei com esperança de me sentir daquele jeito de novo . Foi quando eu me rendi, deixei a vida retomar o controle que por tanto tempo eu adorei , que eu pude me sentir livre de novo. Neste dia eu não tive medo da decepção, já não me importava mais, não tive receio do que poderia acontecer se tudo desse errado. Neste dia eu me senti mais jovem, de certa forma estúpida, por fazer algo que por tanto tempo era proibido no meu mundo. Foi quando eu perdi o controle que a vida voltou a me surpreender, e talvez eu estivesse com um pouco de medo, mas não deixei isso me impedir de abrir a porta. Eu estava cansada de ser prisioneira do meu ego, exausta de estar sempre no controle de todas as situações. Então eu joguei fora todas as minhas armas e sai em campo de batalha com os olhos vendados. E foi a melhor decisão que eu já tomei na minha vida. Eu escolhi acreditar em quem não conheço, decidi me entregar completamente sem pensar nas consequências e posso estar ficando louca mas nunca estive tão feliz em toda a minha vida. E por enquanto, querido diário, é isso. Fico aqui, pensando no que está acontecendo lá, com o corpo aqui e com a alma vagando ao redor de quem eu não consigo parar de pensar. Ainda com o cheiro na minha pele, o coração acelerado e a mente completamente livre para imaginar mil possibilidades sem medo de me decepcionar. 


18 de set de 2014

Control


É como uma droga, que te consome aos poucos e traz toda a culpa logo após o uso excessivo. Todos os dias eu acordo pensando que vai ser diferente, querendo que desta vez eu tenha um pouco mais de controle. Por que é tão difícil simplesmente dizer  "NÃO" ? Por que a minha mente derrete, minha garganta anseia e os olhos antecipam aquele sentimento de prazer e culpa quando consumo o que vai contra todos os meus princípios? É quando eu perco o controle sobre as minhas escolhas que eu me torno o monstro capaz de machucar a mim mesma, com pensamentos destrutivos e odiosos. É quando eu não consigo me controlar que eu me transformo em um ser digno de pena e cuidado, pois não tenho condições de fazer isso sozinha. Eu não quero mais ter que acordar, para continuar errando e errando , segundo após segundo, não consigo passar nem um minuto sem fazer algo que eu não vá me arrepender depois. É assim que me sinto agora, estúpida, cheia, mais do que deveria e esse sentimento é a pior sensação que eu já senti na minha vida. Eu quero que a sensação vá embora, que a voz que me diz que está tudo errado, se cale por alguns minutos, pois eu já sei do erro, era tão previsível que me sinto idiota por não ter evitado.
Mas tudo vai ser diferente amanha, eu prometo.

Ana.


17 de set de 2014

Querido diário ...



Como amar quem você nunca viu, gostar daquilo que nunca sentiu, prever o imprevisível onde a possibilidade de existência é nula, exceto na sua cabeça , onde tudo pode acontecer .Como pensar em um amanhã melhor, um caderno em branco com mais páginas para escrever. Sonhar, e aprender a sonhar com todas as suas forças, como se nada no universo fosse mais importante do que isso. Como se a vida pudesse acabar daqui cinco minutos e durante cinco minutos, prender a respiração para sentir como seria morrer. Morrer de amor, de dor, rancor, ódio ou tristeza, você pode escolher. Mas tenha certeza de sempre escolher o melhor pra você, independente do que irão pensar ou dizer. Para que se importar, fingir que liga para o que o mundo pensa sobre você? Eu quero acreditar em cada palavra que digo, em cada pensamento que escrevo e as vezes é difícil, simplesmente ignorar toda a experiência que eu já tive e viver desse jeito, acreditar nessa utopia. Mas estou tão perto de conseguir, cada vez parece mais possível. Eu vejo a luz lá no final, sinto a brisa do ar fresco e consigo respirar boas novas se aproximando em breve. Acho que este é o momento de baixar as armas, desistir da guerra e levantar bandeiras brancas. Pode vir, atire em mim se quiser, não me importo em me ferir, não ligo para não me defender, só cansei de ser aquele que ataca, aquele que dá o primeiro tiro e inicia toda a guerra. Agora eu quero paz, quero rede, sol, água de coco e amor. Que me matem enquanto durmo se quiserem, não irei me importar.

Querido diário, espero que hoje seja mais um dia bom...

16 de set de 2014

Depressão




Me lembro de ser uma sonhadora, aquelas que abrem a janela, deitam no chão na escuridão do quarto e olham para fora. O tipo de sonhadora que aprecia ver o último raio de luz tocar a terra , pois é poético, inédito e o final de mais um dia que jamais se repetirá. Ainda recordo a melodia, os sons que faziam as borboletas no meu estômago dançarem sem parar. A ansiedade que fazia meu coração bater mais forte, tudo era emocionante, tudo era esperado, as surpresas eram a maior alegria da minha vida. Ainda me lembro de me surpreender e me deixar ser vulnerável, só para sentir um pouco mais. Eu deixava meus pensamentos me levarem para outra dimensão onde tudo era possível. Os romances mais belos e os pesadelos mais terríveis aconteciam de verdade no meu mundo. E era sempre assim, eu ficava feliz com a simplicidade da vida e a complexidade de tentar sair do mar de sentimentos que eu mesma criava. Era como viver em uma roda gigante que não para jamais, e a cada nova volta, a vista nunca era igual, ou talvez meus olhos vissem tudo de um jeito novo conforme o tempo ia passando. Ainda me sinto presa na mesma roda, mas agora é tudo igual. O olhar cansado se acostumou até mesmo com a vista mais bela, o pensamento criativo dormiu sem ter hora para acordar, de repente é como se o céu estivesse cinza todos os dias, e nenhuma volta da roda gigante pode fazer com que as coisas mudem. O tempo passa e tudo continua igual, as surpresas já não me surpreendem , os romances não me atraem e os pesadelos não me assustam. Me tornei parte fixa do meu próprio brinquedo, o que era para ser divertido se tornou uma prisão perpétua. Mas talvez essa seja a resposta que eu buscava, estar nesta prisão me faz lembrar de quem eu fui um dia, e como era bom ver o céu colorido todas as manhãs e alegrar-me com simples gotas de chuva em minha pele. Me lembrar daquela garota me faz ter esperança. Quem sabe é dela que eu precise, é pra ela que eu tenho que voltar, com ela devo me encontrar e encontrando-a não mais me perderei em mim. Afinal, todos temos um lado escuro dentro de nós, uma parte da alma que está tão abatida e fragmentada que as vezes ela escapa de seu esconderijo e se espalha por toda a nossa existência. Mas é preciso ver de novo, esperar a roda girar mais uma vez e desejar desesperadamente que a próxima volta traga uma vista melhor de se ver, uma dor mais suportável de sentir e uma coisa qualquer que nos faça sorrir de novo.