30 de jun de 2014

Reencontro com o passado





Quantas pessoas já passaram pela sua vida, quantas faces foram esquecidas como grãos de areia em uma praia infinita?Alguns ainda estão lá, outros foram levados pelo mar. Nossos passos são grandes para alcançar apenas um pedacinho da praia por vez. Mas, se pudéssemos estar em todos os lugares, quanta coisa haveria para sentir, será que caberia tanto em mim? Sendo pequena já é difícil de suportar. Acho que quanto maior você é, quanto mais você conhece e mais você vive, maior é a dor, e maior é a força que se ganha para suportá-la. Mas gostaria mesmo de rever cada uma destas pessoas que fizeram presença de forma tão passageira, porque sinto que ainda existe espaço para todas elas. Ainda existe espaço para aquela menina da quarta série que me mandava bilhetinhos durante as aulas, e eu sentia dor de tanto me segurar para não rir. Hoje nem me lembro mais qual era a graça. Ainda existe curiosidade para saber o que aconteceu com aquele menino do ônibus, que me olhava mas nunca nos demos o trabalho de nos falar, mas o que havia para dizer mesmo? E para aquele outro menino, que falou comigo no meu último dia de aula da quinta série, foi a última pessoa para quem eu disse adeus antes de mudar completamente de vida. Ainda existe espaço mais do que de sobra para que ele volte e seja meu amigo de novo, por muitos e muitos anos. O nome dele era Fernando, mas qual era o seu sobrenome? Eu queria abraçar o mundo, queria saber onde todos eles estão, o que fazem, será que se lembram de mim? Será que existe espaço na vida daquela garota que brincava de pular corda comigo no jardim de casa, há 16 anos atrás? Será que eu sou parte dos pensamentos e memórias fragmentadas de centenas de outras pessoas, que também se lembram de mim e gostariam de saber onde eu estou ? Teve também o Angel, esse nem era o nome de verdade dele, a namorada dele o chamava assim. Conversamos por horas e horas no aeroporto de Birmingham. Eu voltava para o Brasil e ele para Islândia. Duas almas falando sobre a eterna confusão que se passa na mente de um viajante que volta para casa, corações pesados, incertezas, todos estes sentimentos profundos compartilhados com um estranho que eu encontrei no aeroporto. Porque não nos adicionamos no facebook ? Sei que o tempo tem o seu próprio jeito de trazer as coisas de volta e te dar o que você quer. É sempre inesperado e mágico. Ainda penso que vou rever estas pessoas , na fila do mercado, no banco vazio do meu lado ou naquele bar que eu decidi entrar só porque a música era boa. Ainda espero ouvir notícias, mas se não ouvir, tudo bem também. A parte mais bonita de tudo isso é saber que estamos todos respirando o mesmo ar agora, vivendo na mesma cidade talvez. A qualquer momento podemos nos reencontrar, nos conhecer de novo sem saber que algum dia já sorrimos juntos.