16 de jan de 2014

Pusilanimidade





A coisa mais singular do mundo é olhar para trás . Fotografias , textos , vídeos , diplomas . Coisas que um dia você fez, a pessoa que um dia você foi. Sempre me perguntei se isso seria possível, mudar de maneira tal que reconhecer-se seria inexequível. Mudar, transformar-se em alguém completamente dissemelhante do que você costumava ser. Eu tinha medo, ainda tenho. Eu tento tanto entender e justificar estas mudanças , mas simplesmente me pego em uma rua sem saída, olhando para uma barreira, sem poder ultrapassar e ver o que existe além. É um mistério !  Voltar não é uma opção. Acho que o mais esquisito é se olhar no espelho. Tudo está tão diferente agora. As roupas não são as mesmas, o cabelo mudou, as células que compõem sua pele não são mais as mesmas, até o sangue nas suas veias é diferente, seus órgãos estão mais velhos, mas o mais assustador de tudo é olhar para seus próprios olhos,grudar o nariz no espelho e ficar ali, olhando aquelas duas bolas castanhas. Não importa quanto tempo passe, o quanto você mude, o olhar continua o mesmo. Isso me assusta de uma forma tão peculiar e encantadora que é impossível não parar para refletir. Por que eu mudei tanto?  Por que não mais sou quem eu fui ?  Eu achei que meus sonhos não seriam tão diferentes, que minha banda favorita seria para sempre, que meus amigos nunca iriam morrer. Eu achei que a vida fosse mais longa e que a jornada fosse menos dura. Acreditava que o tempo era um aliado , mas tudo que ele fez foi me transformar. E hoje eu sei que é possível ser alguém que você nunca achou que seria. É provável que você jamais volte a ser e sentir o que o seu eu passado era e sentia. Isso é triste. E se eu não quiser mudar ? E se eu não quiser crescer ? E se eu pudesse fazer o tempo parar de passar por apenas um dia ? Eu faria. Eu era uma pessoa, que acreditava que a vida que a gente tinha, era escolhida . Acreditava tanto nisso, que minhas escolhas diriam por mim quem eu sou, sem que eu precisasse dizer uma palavra. Achava que a vida podia ser controlada. Hoje eu sei que não é. Não adianta o quanto você queira fugir e fazer o tempo parar. O tempo não para e não importa para onde você fuja, a cada segundo que se passa no relógio você é um pouco menos de si mesmo e um pouco mais do estranho que a vida faz você se tornar. Apenas o olhar continuará reconhecível quando você se der conta de como os anos passaram depressa.