14 de nov de 2012

Frio



Chocolate quente e cigarros de menta , antigos companheiros de dias solitários e frios. Dias nublados , grama molhada , o vento gelado que aquece a alma dos poetas, amantes dos dias frios, pois são os que mais trazem inspiração. Dias frios,dias infelizes, o clima reflete a aura de nossa alma escura e apedrejada pelas estradas tortuosas de nossas vidas. Dias tristes, de rede e livro. Histórias de uma vida feliz , de verões passados, histórias vividas por outros, a tão sonhada história de um verão sem fim. Fecho os olhos e ainda me lembro de fragmentos daqueles dias, dias felizes e sem preocupações, dias sem horas e sem compromissos. Mas nada restou daquela vida, um acidente, uma doença, muitas mortes , lágrimas de sangue levaram tudo o que era bom para um passado distante, um passado que não se pode recuperar, um passado que dói lembrar. Não me recordo de nenhuma perda em que havia sol no céu. Era sempre frio quando eu era deixada, sempre frio quando as ligações não eram atendidas, sempre frio quando as notícias de morte chegavam ao amanhecer, sempre frio quando as cartas retornavam sem respostas.Apenas o frio e o silêncio da dor.