27 de abr de 2018

A cada dia tenho menos para dizer

Eu queria fazer arte sem ter que explicar pra ninguém.
Queria fazer arte e receber apenas opiniões de quem realmente entendeu o que eu estava falando.
Mas acho que seria demais, por isso nāo me importo mais, nāo tanto.
Eu escrevo, lê quem quer, entende o que quer e a vida segue.
Quem se importa com o que eu realmente quis dizer ao escrever minhas linhas?
Se nem mesmo eu sei como ousam me julgar pelas minhas palavras?
Mas acho que seria pedir demais, ser lida e entendida.
Basta que leiam entāo, se te esquenta o coraçāo, minha finalidade foi alcançada.
Eu nunca vou parar. 

Tudo bem nāo ter um título

Eu tento fazer poesia e nunca consigo.
Nāo sei por que! Parece que me falta algo a dizer.
Mas como amo ler os poetas e preencher suas lacunas com minhas próprias ideias !
Invejo a ausência de palavras alheias tanto como venero o excesso das minhas.
No fundo me faz bem ser um pouco a mais.

Eu tinha tanta coisa pra dizer.
Parece que de repente nada daquilo importa mais.
É como se estivesse realmente deixando todo meu passado para trás.
Onde estāo todas as dúvidas que tinha, os anseios, o medo?
Onde foi que perdi esta parte de mim?

Eu queria tanto escrever para explicar
mas parece que fiquei mais confusa.
Será que um dia alguém vai achar estas linhas e me sentir?
O que sente voeê ao ler o âmago de outrem?

17 de abr de 2018

2001 em diante

Sozinha na calçada suja ela sentou com a cabeça baixa.
O volume dos fones de ouvido eram ouvidos por qualquer um que chegasse perto demais, assim como as cicatrizes que se deixavam mostrar nas mangas que as vezes levantavam sem querer.
Deixando pele demais aparecer.
Ela nāo poderia se importar menos com os olhares ou com as falas ou com os sussurros ao redor quando ela passava. 
Ela simplesmente era. 
Ela simplesmente era toda a tristeza do mundo condensada em uma garota pequena demais para entender. 
Pequena demais para se defender ela lutou contra tudo que o mundo dizia que era certo.
Ela foi o próprio brilho na escuridāo de um universo que sempre esteve morto. 
Ela argumentava com as poucas garras que tinha contra opiniões fortes demais.
Preconceitos fortes demais para que ela pudesse ceder.
O mundo feria, a música doía, a poesia fazia ela sangrar.
A noite caia, o mundo dormia e ela continuava a cantar. 
Sem voz.
O mundo nāo parou para oferecer a māo.
O sangue caia no chāo. 
Todas as gotas foram contadas como livros de uma página de uma história sem fim. 
Ela ficou jogada ali, no canto daquele sofá, chorando por alguém que nāo teve tempo de se despedir.
Todos os outros atos deste teatro foram assim. 
Muitos vieram, poucos ficaram e ela fez questāo de expulsar todo mundo com a sua fúria contra Deus.
QUEM É DEUS ?
Ele deixou ela ali para aprender uma liçāo.
Ela era nova demais para entender. 
Entender que os pais se vāo, as vezes sem nem terem tempo de chegar.
Ela ligou ligações que jamais foram atendidas, desafiou mensagens nāo respondidas e um teste negativo de DNA.
Seu peito foi aberto 10 centímetros a mais do que o médico havia prometido! 
Ela confiou em você e você culpou as substâncias desconhecidas.
Mas nāo foi ele quem acordou em uma cama com os braços amarrados no escuro da UTI.
Hematomas roxos everywhere, tontura e vontade de morrer. 
Ninguém estava lá quando ela acordou.
Morfina a vontade nāo foi o suficiente para mascarar a dor.
Mamāe eu sinto sua falta e seja lá onde você esteja agora, nāo olhe para mim.
Estou feia demais para ser vista por qualquer ser humano que tenha capacidade de enxergar.
Pensei que fosse meu segundo fim.
Ela queria sobreviver apenas para morrer de novo. 
A dor era sua melhor amiga.
Aos 13 quando esteve internada pela primeira vez e viu sua avó sair chorando do quarto pois nāo suportava ver sua dor, ela começou a entender.
Aos 14 quando seu melhor amigo, tio, pai, confidente, ofereceu lamber suas partes íntimas quando ela nem ao menos sabia como era o gosto de um beijo, ela começou a entender.
Aos 15 quando seu corpo ainda era tāo pequeno, foi quando a semente do desejo de ser menor ainda foi plantada em seu ser.
Ela nāo sabia, mas essa seria a sua maior destruiçāo, a auto destruiçāo e o início de um caminho sem volta.
Vinho, cigarro, comprimidos, cocaína.
Beijos, sentimentos, anfetamina.
Ausência, cocaína, paraíso.
Mais cocaína.
A queda.

Continua...








14 de fev de 2018

Eu quero me matar, precisamos conversar !

Eu queria ter o poder de dizer exatamente o que as pessoas precisam ouvir em um momento crítico que significa vida ou morte pra elas.
Infelizmente, poucas idéias tenho porque já pensei no meu próprio funeral diversas vezes. Eu estive tāo perto. Ainda nāo sei dizer se me faltou coragem pra partir ou se me sobrou coragem pra ficar. Mas fiquei. Eu sei que muitas vezes eu falo em enigmas, tendo a tentativa de proteger terceiros, jamais iria querer que alguém pensasse que parti por uma fala ou ato alheio, embora eles tenham grande parcela na porcentagem da tal culpa, a culpa que a gente procura tanto quando perdemos alguém que decide ir fora do tempo. Nāo funciona assim. Há dois anos eu comecei a perceber que minha força já nāo era a mesma. Eu percebi que a linha do tempo de acontecimentos tinha me fudido de uma forma irremediável. Eu achava que toda a minha história era motivo suficiente para ir embora sem dar tchau. Eu tinha perdido tudo que eu mais amava e todas as tentativas de recuperar qualquer sorriso era tāo difícil que eu tinha medo de continuar vivendo. Foi entāo que eu procurei ajuda. Nāo é uma ajuda qualquer, as vezes seus amigos dizem coisas que pioram a situaçāo sem querer. Lembre-se, nāo é culpa de ninguém que sua alma esteja toda fragmentada. É sua responsabilidade consertar o que a vida te transformou. Dói pra caralho. Machuca mesmo. A vontade de desistir as vezes, quase sempre, é maior do que a vontade de continuar tentando. A gente acha que já sabe o resultado tá ligado? A real é que a gente nāo sabe porra nenhuma. Se a gente se der 10 minutos a mais de vida e decidir naquele momento simplesmente nāo pular, quanta coisa pode acontecer? Aconteceu muito pra mim. Eu achei de verdade que era o fim tantas vezes. Quem me viu de perto viu a morte no brilho do meu olhar, estampando meus sonhos mais proibidos. Eu sonhava com o sono profundo dia e noite, eu planejava estar ausente. Eu me programei pra isso. Mas acho que alguma coisa em mim parecia estar inacabada, de alguma forma, mesmo estando sangrando, sem meus pais, abusada pela pessoa que mais confiei na minha família, abandonada por todo mundo que eu ousei amar, depois de ter machucado todas as pessoas legais que eu conheci da forma mais nojenta possível eu resolvi olhar pro céu. Eu me desafiei a viver mais e tentar. A ironia nesta passagem só será entendida por aqueles que já quiseram sentir tanta dor, tanta dor que nada seria mais doloroso do que continuar vivendo, entāo eu continuei vivendo. Eu queria saber até onde eu conseguiria chegar. Quando eu tinha 11 anos e me acordaram de manhā dizendo que minha māe tinha ido embora do mundo, eu me senti desafiada a ser forte pela primeira vez. Quando meu tio, o único ser do sexo masculino que eu confiava e tinha como figura de pai me fez pedidos inadequados e eu sai correndo, eu me desafiei a nunca contar nada pra ninguém. Eu escondi o segredo dele e agora eu estou contando pra todos que quiserem ler. Eu nāo me importo mais. Eu só quero ser verdadeira hoje.
Eu ouvi muitas críticas sobre um texto que eu escrevi sobre se matar rápido e nāo sentir dor. Eu caguei pra tudo de negativo que me disseram porque algumas pessoas vieram pessoalmente agradecer  por eu ter salvo a vida delas. É pra isso que eu estou aqui. Se tem algum leitor que lê esse monte de desabafos da vida que eu escrevo eu quero que isso sirva pra alguma coisa e eu nunca vou ser desonesta. Eu sei que dói pra caralho! Você acha que eu nunca estive no seu lugar, mas eu já estive vezes demais pra contar. Minha pele do rosto se enruga de lágrimas só de lembrar o quāo jovem eu era quando fui vítima pela primeira vez da famosa depressāo. Quer saber ? Foda-se a depressāo. Foda-se o suicídio. Foda-se todas as vezes que eu achei que a vida nāo valia a pena. Eu nāo sou a depressāo, eu nāo sou a queda do prédio. Eu nāo sou o que os fracos me dizem para ser. Eu vou vencer, eu vou chegar até a faixa final da corrida. Por primeiro ou por último, realmente nāo importa. O que importa mesmo é que eu nāo vou desistir, eu nāo vou deixar a depressāo me definir, eu nāo vou ceder nenhum passo para trás. Você também deveria tentar.

Precisamos conversar.
Conte comigo.
vaanz@me.com



21 de nov de 2017

Mais uma última carta

Se você pudesse sentir metade do que eu sinto e pudesse pensar metade do que eu penso, talvez você não diria o que disse.
Talvez o mundo realmente seja um lugar melhor sem mim.
Talvez meus sentimentos estejam abalando o sistema por inteiro e a primeira estrutura a rachar foi meu cérebro.
Eu estou quebrando por dentro.
As vezes olho ao meu redor e tento dar nome as cores e sentido as formas mas é em vão.
Meu coração está ficando cada vez mais abstrato e viver se torna uma tarefa cada vez mais difícil.
É assim que venho dar adeus.
Queria que este fosse o momento mais marcante da minha vida, mas vai ser apenas mais uma passagem medíocre em busca de recomeço.
Eu não sirvo para terminar as coisas.
Meu corpo está doente demais para se curar nesse ponto.
Eu juro que eu tentei.
Eu não sou uma garota boa, eu só queria a minha parte no todo mesmo que fosse pequena, mas que pelo menos uma parte fosse só minha e mais de ninguém.
Eu não sou uma garota ruim, eu só queria ser amada por alguém.
O mundo me atira pedras desde a hora que eu cheguei. Bravamente eu lutei e lutei incansavelmente incontáveis lutas.
Sozinha, na rua, na chuva, ao vento que batia contra os meus piores pensamentos, no bar bravo.
No deserto andei com sede, sem água por dias em busca de uma gota de compaixão.
O mundo só é capaz de ver a minha casca grossa. A garota forte que sobreviveu as guerras.
No sereno corri com medo , com frio por dias em busca do conforto de um abraço quente.
Tudo é tão vazio e sem sentido, eu só vou me entupir de comprimidos e esperar pra ver o que acontece.
Estou cansada demais pra lutar dessa vez.
Eu não vou embora sem dizer o que realmente penso. A culpa é sua.
Você me matou cada vez que desviou o olhar das minhas lágrimas.
Você tirou todo meu sangue de mim todas as vezes que fingiu não ver que eu sangrava.
Você me colocou em um espaço que não havia oxigênio algum pra respirar, cada vez que disse “os outros tem sentimentos”.

Você só esqueceu que meus sentimentos são maiores do que o de qualquer outra pessoa e que eu sou capaz de sentir em mim toda a dor do mundo em um segundo.
A culpa é sua.
Um, dois, trinta calmantes talvez me façam dormir em paz essa noite.

Eu não vou mais tentar salvar ninguém. 

17 de out de 2017

Sal

Eu quero me limpar, drenar de mim todos os sentimentos que me fazem ceder. Retroceder e não entender. Não quero achar que preciso entender. Quero ceder e desaparecer. Desaparecer dessa história que nunca foi minha. Pintar todas as paredes de amarelo pra que minha ansiedade seja menos apática. Eu quero arrancar pedaços de mim. Sangrar até morrer a parte que me impede de ser quem eu sou. Mas será que sou ? Você me confundiu. Me fez achar que o preto era dourado, mas hoje está tudo acabado e só vejo o escuro. Eu não sei quem você se tornou. Eu sinto pena de mim. Achei que era de ti, mas no fundo fui eu que morri. Me colocaram no meio de uma guerra que nunca foi minha pra brigar. Me fizeram achar que eu era culpada pelos erros que eu nunca cometi. E agora eu fico aqui, observando e incapaz de me mover. Confusa demais pra entender e separar, deixei entrar em mim tudo que veio de fora, se misturou no meu sangue elementos que não eram meus. Eu não consigo mais separar. Eu quero tirar isso de mim. Esse comprimido azul que só me faz enganar.  Quem sou eu ?
As vezes eu me esqueço de todas as partes boas que existem em mim, todos os pensamentos de evoluir e caminhar em frente, de repente viram sangue que me obrigam a engolir. É uma violência brutal contra mim e eu já nem sei de onde vem tudo isso. Talvez essa seja a herança que você me deixou. Uma eterna confusão. Eu pensei que quem precisava de ajuda era você. 
Eu quero me limpar, mergulhar profundamente em águas densas cheias de sal, perder a respiração embaixo do mar e engolir o oceano. Eu quero morrer. Morrer para ressucitar. Quem sabe assim eu consiga finalmente uma página em branco. Eu quero um livro novo. 
Eu preciso me libertar dessas correntes que me sugam, não me deixam respirar. Eu puxo o ar e ele se vai. 
Eu preciso me sentir vazia. Eu estou perdendo a sanidade que ainda tinha. 
Eu faria qualquer coisa para não lembrar de mais nada. 

Eu preciso me limpar. 

22 de ago de 2017

Hoje eu chorei

Hoje eu chorei e nem percebi, mas quando percebi me dei conta de mim. Aquele velho eu para quem dei adeus e prossegui. Prossegui porque já não existia lugar pra mim ali. Ali, onde tão feliz fui mas hoje choro com vontade de poder voltar e me impedir. Me impedir de me machucar tanto, me impedir de amar com tanta confiança, me impedir de acreditar com tanta inocência. 
Eu me vi, me vi no espelho e não me reconheci. Essa pele você nunca tocou. Esses cabelos você nunca viu crescer. Chorei porque senti falta de mim. Talvez tenha sentido um pouco de ti, que hoje está por aí, mas desapareceu. Junto com toda a poeira e as fotos que me deixam doente. Junto com todas as lembranças que enlouquecem minha mente, meu passado você tirou de mim. Até mesmo o mais forte dos seres sem chão ficaria diante de tamanha agonia. A agonia de entender o que se passa quando as bocas se calam. Calar os sonhos que nunca se concretizaram. Concretizar a vida que existiu mas deixou de ser. Deixou de ser porque minha energia já não é a mesma. Como poderia ser? Sinto ódio e pena daquele frágil ser humano sem a menor estrutura emocional para lidar com as escolhas que a vida me fez fazer. Me fez. A vida me fez. Eu me fiz e hoje chorei. 
Chorei porque olhei pro espelho e não me vi. Me via mas não podia sentir. Sentia mas não podia enxergar, onde é que eu vim parar? Eu estou melhor, mas estes pensamentos de repente me assombram, fazem a imagem no espelho me tocar. Ela me toca, com toda a sua raiva guardada daqueles que deveriam ter estado ao seu lado mas se omitiram. Ela me toca com todas as lâminas que usou para ferir a pele que hoje é minha, só minha, não me toque. Ela me tocou com aquela tristeza cheia de dor, uma dor tão grande que só a morte poderia amenizar. Talvez nem isso. 
Hoje eu chorei. Chorei porque ela me tocou com todas as vezes que sentiu ciúmes de coisas que não deveria sentir. Porque todos os sentimentos descontrolados e em excesso daquele ser imcompreendido causaram danos irreparáveis. E eu mudei, eu juro que sou melhor, eu juro que consigo olhar para tudo isso e perceber que eu cresci. Eu cresci muito e você não está mais aqui. Vocês me deixaram e hoje eu chorei. 
Chorei porque me olhei no espelho e finalmente pude me ver. Ela cresceu e deixou de existir. Como pode existir algo assim? Hoje sou mansa, quem escreve é ela. Visceral. A alma que sangra e não controla ou mede seus dedos na hora de escrever. A mão é pesada como o peso que sua alma carrega nas costas. Sua poesia é pouco entendida por aqueles que nada sabem sobre a vida. Pouco sabem o que é viver em guerra dentro da sua própria pele ou viver em um corpo que você odeia. 
Ela era assim. Mas vivia a sorrir e a viajar por aí. Fez amigos em todos os cantos do mundo e nunca faltou um sofá para dormir. Ela sempre conseguiu se safar das piores enrascadas, nos piores pesadelos era ela quem amedrontava, ela me destruiu. Eu te destrui para fazer um novo eu. Mas quando vejo no espelho eu só consigo sentir todas essas palavras sangrando de dentro de mim e caindo no chão branco e eu chorei. Chorei e escrevi. 
Aqui está o pedaço que te cabe. Um dia eu vou ter que decifrar todas essas chaves misturadas, mas agora não. Eu só preciso prosseguir. E eu prossigo. Sem você.
Hoje eu chorei. 

26 de jul de 2017

Island

Você já teve a sensação de que o mundo inteiro lá fora poderia explodir e tudo ficaria bem mesmo assim? O sentimento de que o que é importante está bem ao alcance das suas mãos então o resto não importa? Você já se sentiu como se pudesse passar uma eternidade fazendo a mesma coisa e nunca cansar daquilo, porque é tudo tão natural que afinal, o que poderia ser melhor?
Eu sinto que o que é bom fica melhor a cada vez e me impressiona o fato de que o alvo dos meus desejos e devaneios não seja nenhuma novidade na minha vida. 
Eu sempre estive aqui, andando por aí, talvez com menos alegria no olhar. Você sempre esteve por aí, talvez nunca tenha reparado em mim e hoje eu sei que talvez nada fosse igual ao que é agora se tivesse acontecido antes. Ainda me surpreende se eu tento entender o que é isso, por isso já não tento explicar. Eu estou vivendo como se o amanhã nunca fosse chegar, como se o passado não tivesse existido mesmo que ele tenha existido e me machucado por um tempo. Qual a relevância afinal?
É tudo tão novo agora, somos pessoas tão diferentes do que eramos quando nos vimos pela primeira vez. Eu só não queria de forma alguma estragar esse sentimento de leveza que nos acompanha o tempo todo que passamos juntos. Não quero que acabe a sensação de alegria que eu sinto quando estou nos seus braços. Não quero pensar em inícios e finais, em explicações banais, quero apenas viver os segundos e aproveitar cada pedacinho de você como se eu não tivesse outra escolha. Acho que tenho feito isso muito bem. Bem até demais porque as vezes até me foge da mente que tudo isso tem prazo de validade. Já me chamaram de louca e me aconselharam a me afastar, mas por que eu faria isso? Prazos existem mas o futuro é tão incerto quanto as surpresas. E eu só tenho surpresas agradáveis com você. Então eu me esqueço e me deixo levar, como nunca fiz antes. Não quero pensar em nada, eu só quero continuar sentindo essa sensação única misturada com esse momento da nossa vida, onde tudo é tão diferente. Não existe pressa nem excessos. Só existe um fluxo natural de gestos que são tão genuínos que não poderiam ser diferentes. Acho que a grande diferença entre você e os meus antigos amores é que em você eu não vejo nada além de você. Eu não tenho expectativas, não tenho planos para nós que ultrapassem as barreiras da próxima semana. Deixo o tempo passar. Eu não faço idealizações dos meus sonhos, não faço promessas, apenas te gosto como é tão natural eu gostar. Não tem repressão de sentimentos baseados na racionalização dos fatos inevitáveis. Mas por que eu faria isso? Eu insisto em dizer que neste momento da minha vida eu só quero sentir e continuarei sentindo sem pensar muito no depois. Que se exploda o depois junto com o mundo lá fora, nada disso importa agora. Apenas você. 

                                                        



21 de jul de 2017

Abstrato

Eu adoro a sensação de ter tantos sentimentos misturados que fico sem palavras pra descrever. Acho que a maioria dos meus textos são cheios dessa fonte inesgotável de inspiração que é a eterna confusão da minha mente. Eu vivo amando e desamando, sorrindo e chorando, me perdendo pelos cantos. A ironia dos meus últimos dias tem sido tanta que chega a ser engraçado. Daria uma bela comédia dramática. Antes eu choraria, hoje apenas observo e me sinto grata pelas oportunidades de viver experiências tão intensas. Tudo isso vai virar pó um dia, assim como as minhas cartas e garrafas vazias. Assim como nós. Eu e você. Nós. Nós difíceis de desatar. Se eu tivesse o mínimo de controle destes acontecimentos inesperados talvez não seria tão bom. O caos me agrada, a imprevisibilidade da vida também. Os melhores momentos acontecem quando eu estou recuperando o fôlego. Tão rápido que quando percebo já se foi. Eu aprecio a particularidade das diferenças dos meus afetos. Mas depois de um tempo quando leio sobre eles me parecem iguais. Insisto em dizer que são diferentes e o tempo tem me tornado um pouco cética em relação a isso. E mesmo com tantas adversidades, me permito dizer que desta vez eu realmente encontrei algo fora do comum. E é tão bom que eu consiga ainda sentir coisas que eu achei que nunca mais fosse sentir. Pensei que tivesse matado todas as emoções em mim. Excesso de tragédias fez de mim uma pessimista. Mas que tipo de escritora eu seria se perdesse de fato a capacidade de sentir como se ainda fosse tão pequena e ingênua. Mas é exatamente aí que mora a graça em crescer. Fico apenas com a parte boa disso tudo. Sem lágrimas de tristeza pelas partidas, sem ansiedade, sem medo de nada. Sobra apenas a vontade de ver, sentir, tocar. Sobra apenas o que é. Momentos. O tempo as vezes confunde e parece estar um pouco atrasado. Mas nada acontece por acaso. E são de acasos que nasce o mais puro sentimento de simplesmente pertencer sem pretensões.
Eu vou guardar o melhor do que vivi, o melhor do que vivo junto com a certeza de que mais momentos assim estão por vir. Tamanha vontade de expressar tudo isso de alguma forma me faz perder o sentido e a razão.
Acho que esse texto é só pra mim e eu quero mostrar ele para você. Ninguém precisa entender as motivações. Minhas palavras hoje são como pintura abstrata. Hoje eu não quero racionalizar nada. Apenas sentir. 





17 de jul de 2017

Quando você resolve dar F5 na vida

Quantas coisas acontecem quando você consegue convencer sua mente e coração a olhar pra outro lado. É bom perceber que o passado foi duro mas que ele não precisa machucar mais. Nada pode apagar as desilusões e as dores que a gente enfrentou. Mas escolher deixar tudo isso pra trás, libera um espaço enorme para que coisas novas aconteçam em nossas vidas. 
Eu resolvi deixar tudo de lado, não mais me apetece pensar sobre o que eu não posso mudar.
Eu só quero continuar andando na minha estrada, minha mochila não é mais tão pesada, deixei fotos e cartas guardadas para não mais ter que carregá-las. Agora estou mais leve. Já sinto o cheiro de boas novas mesmo sem saber exatamente o que é. Se disser que fiz tudo isso sozinha seria injusta com meus amigos que me ouviram e me deram diversos conselhos. Mas a escolha foi toda minha. Eu tive que passar por noites infinitas antes de ter a esperança de ver um novo amanhecer. Ainda não vejo o sol por inteiro mas os seus primeiros raios começam a surgir no meu horizonte que antes era tão escuro. Acho que estou preparada para um futuro diferente, onde a tristeza se fará ausente e apenas o que for bom poderá entrar. Chega de pensar tanto sobre o que não cabe a mim alterar. Chega de gastar energia buscando quem não se deixa achar. Agora eu quero apenas sorrir e estar perto de quem quer estar perto de mim. Sem me sentir culpada de nada, quero andar por essa estrada porque já cansei de correr. Quero aproveitar a vista, da forma mais leve e doce possível. Eu mereço um pouco de paz. Chega de dúvidas, receios, ansiedade injustificada, vontade de sumir do nada, chega de não amar minha existência por completo da forma que ela merece ser amada. Eu mudei e nem percebi. Mas uma vez sou o extremo do que nunca pensei que fosse ser. Essas mudanças de comportamento me mostram que talvez crescer seja legal também. Minhas experiências não definem quem eu sou, meu passado apenas me transformou, minhas histórias ruins me deram coragem, meus erros me trouxeram sabedoria. A vida continua me surpreendendo da mais bela forma possível e eu só consigo me sentir grata por ter tanta sorte em um mundo cheio de azar.
Universo, obrigada. Continuarei sendo certa e errada até que eu termine essa jornada. Que os ventos me guiem para onde eu sempre consiga achar mais um motivo para sorrir.